O deputado Tony Garcia, líder da bancada do PPB na Assembléia Legislativa, apresentou ontem projeto de resolução para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Copel. O deputado afirma que tem em mãos denúncias de irregularidades em diversos setores da companhia de energia e quer investigar o assunto. Na justificativa do projeto, o deputado afirma que uma das denúncias é a de que o lucro de R$ 430 milhões obtido pela Copel no ano passado teria sido maquiado no balanço oficial divulgado pela estatal. Ele acredita que o lucro seria maior.
Garcia decidiu apresentar um projeto de resolução e não um requerimento pedindo a instalação da CPI porque já existem sete comissões parlamentares na fila para instalação (cinco da base governista e duas da oposição). Como o Regimento Interno permite apenas que cinco funcionem simultaneamente e a Copel é considerada assunto de extrema importância, o deputado quer viabilizar uma sexta CPI. ‘‘Essas cinco do governo são laranjas’’, reclamou.
Ele pretende pedir hoje regime de urgência na análise de seu projeto – que ainda precisa passar pelas comissões permanentes da Casa. O líder pepebista espera que a comissão, que será formada por sete membros, comece a funcionar dentro de duas semanas. ‘‘Queremos fazer uma verdadeira devassa nas contas e no histórico da empresa’’. A Assembléia já aprovou anteontem requerimento de Tony Garcia pedindo as atas das reuniões do Conselho de Administração da Copel nos últimos 24 meses.
Além de querer investigar a estatal, o deputado tem projeto propondo a revogação da Lei 12.355/98 que autoriza o Estado a vendê-la. A bancada de oposição também protocolou projeto com o mesmo objetivo, dois dias depois. O líder do governo, Durval Amaral (PFL), admitiu que a bancada governista está ‘‘indócil’’, mas garantiu que não lhe falta munição para defender a privatização e convencer cerca de 14 dos 40 aliados que estão contra. Ele afirma que a bancada de apoio está reduzida, mas acredita que é um ‘‘momento de rebeldia’’ e que a situação pode ser revertida.
‘‘Estão descontentes, mas não conseguem apontar uma solução’’, alfinetou Amaral. Fonte da Folha
afirma que os acertos entre o Palácio Iguaçu e os aliados, para garantir a venda da estatal, passam por cargos e nomeações.
O líder da oposição, Waldir Pugliesi (PMDB), gostou da proposta de criação da CPI da Copel. ‘‘Só espero que a posição de Tony Garcia seja permanente e não provisória.’’

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