Líder do PMDB bombardeia indicação de Stephanes
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segunda-feira, 21 de junho de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os deputados estaduais do PMDB lamentaram ontem a saída de Eleonora Fruet do governo. Um dos posicionamentos mais duros foi o de Nereu Moura, líder da bancada do PMDB na Assembléia. Para ele, a saída de Eleonora foi um ''desastre''. Entretanto, a indicação de Reinhold Stephanes para comandar o Planejamento teria sido um ''desastre ao cubo''. ''Não sei se o Stephanes tem a eficiência necessária para fazer o planejamento do Estado. Ele foi eficiente sim na privatização do Banestado. Aliás, se ele for eficiente como foi na época do Governo Jaime Lerner (PSB) pode ser que consiga resolver os problemas de planejamento do Estado'', ironizou o parlamentar.
Moura disse que Requião poderia ter privilegiado algum deputado estadual ou técnicos em planejamento que estiveram com ele durante a campanha para o governo do Estado. ''Não quero citar nomes para não ser injusto. Mas certamente não seria o nome de Stephanes o mais indicado. Politicamente, ele não contribui para nada. A perda da Eleonora foi muito ruim para o governo. Ela realmente planejava o governo com competência'', analisou.
Dobrandino da Silva, também presidente do diretório estadual do PMDB, foi mais ameno em suas declarações. Disse que a saída da secretária ocorreu por causa da decisão em Curitiba de apoiar a candidatura de Ângelo Vanhoni (PT) para a prefeitura. Dobrandino se posicionava a favor da candidatura própria. Para ele, Eleonora vai fazer falta no governo. ''Ela é uma pessoa íntegra, profissionalmente competente e uma grande companheira do partido. Vai fazer falta'', disse ontem.
O líder do governo na Assembléia, Natálio Stica (PT), também lamentou a saída. ''Acho que ela não deveria ter saído apenas por uma questão política. Acreditava que poderíamos contornar isso, mas infelizmente não foi possível. A secretária fez um bom trabalho. Mas acho que Stephanes tem todas as condições de continuar o trabalho iniciado por ela.''
Procurado pela Folha, Stephanes não quis se aprofundar nas discussões políticas com Nereu Moura. Disse apenas que antes de ser político, foi profissional na área de planejamento. Stephanes é pós-graduado em planejamento na Alemanha e exerceu o cargo de secretário de planejamento do Ministério da Agricultura, em Brasília, entre os anos de 1970 e 1974. Mas ficou famoso como ministro da Previdência, no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). ''Não quero polemizar com o deputado (Nereu), meu currículo fala sozinho que tenho condições de enfrentar mais este desafio'', enumerou.
Stephanes negou que tenha trabalhado pela privatização do Banestado. Ele, que era o presidente do banco na época da venda ao grupo Itaú, lembrou que foi chamado para sanear o banco depois que a privatização já havia sido definida. ''Eu era contrário à privatização. Apenas participei ativamente do saneamento do banco'', pontuou.


