Líder do PFL rebate críticas de FHC
Agência Estado
O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira, rebateu ontem as críticas feitas anteontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso ao Congresso por intermédio do articulador político e ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. A apatia do Congresso não é causa, é efeito das crises frequentes, respondeu Inocêncio à declaração de que o presidente estaria insatisfeito com a paralisia do Congresso. Os especialistas calcularam que houve 18 crises nos últimos 6 meses. Será que o presidente quer criar a 19ª ?, questionou, dizendo que o presidente não foi feliz na declaração e que FHC deveria entender que o Congresso tem trabalhado muito bem.
Inocêncio reconheceu que algumas crises foram criadas pelo próprio Legislativo, mas advertiu que não seria bom para o País o surgimento de uma nova crise entre os poderes Executivo e Legislativo. Só faltava essa, disse referindo-se a possibilidade de uma nova crise. Segundo Inocêncio, seria bom para a harmonia dos poderes a paz e a tranquilidade. Inocêncio criticou com mais ênfase o ministro das Comunicações, que segundo ele conhece as dificuldades do Congresso e não poderia ser porta-voz de uma crítica como essa. Desta vez o Pimenta pisou na bola, afirmou Inocêncio, lembrando que o ministro Pimenta da Veiga foi designado articulador político do governo com o objetivo de acabar com as crises entre os partidos da base governista.
O homem que ia acabar com as crises agora criou uma, afirmou. O líder do PFL diz que conversou na semana passada com o presidente Fernando Henrique e esse lhe informou que pretende reunir os líderes da base governista em agosto para definir as prioridades do governo para o segundo semestre. Segundo ele, o presidente quer prioridade para a votação da reforma tributária e da lei de responsabilidade fiscal. Inocêncio informou ainda que neste mês apenas deverá ser votada a lei de diretrizes orçamentárias, entre os projetos de interesse do governo. Ele disse que indicou o deputado Carlos Melles (PFL/MG) para ser o relator da proposta de orçamento geral para o ano que vem.
O presidente da Comissão Especial da Reforma Tributária, deputado Germano Rigotto (PMDB-RS), disse ontem que o presidente Fernando Henrique Cardoso fala bobagem ao afirmar que o Congresso está parado por causa das brigas entre os aliados governistas. Está dizendo bobagem quem diz isso, afirmou. Não me interessa se é o presidente, o ministro ou quem quer que seja. Irritado, o deputado disse que as CPIs dos Bancos e do Judiciário estão funcionando normalmente, como as demais comissões da Casa.
Eu quero deixar claro o seguinte: não tem comissão na Câmara que trabalhou tanto em tão pouco tempo como a da reforma tributária, ressaltou. Briga com um e outro, discussão com esse e aquele, não tem impedido o andamento da reforma. Segundo Rigotto, em 80 dias, ele realizou 25 reuniões na comissão, viajou para oito Estados, onde conversou sobre o tema com governadores, secretários de Fazenda e entidades empresariais. Hoje, o deputado se encontra com o presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, para discutir a viabilidade do Imposto Verde.
A reação de Rigotto referiu-se às declarações do ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, de que o presidente Fernando Henrique estaria insatisfeito com a falta de votações no Congresso na últimas semanas.





