Líder do MST diz que governo Lula acabou
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segunda-feira, 25 de julho de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Cerca de 400 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), professores, estudantes e integrantes de movimentos políticos protestaram ontem em Curitiba contra a política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mais do que um pedido de mudanças, o protesto teve como meta ''acordar'' a população brasileira e despertar para a necessidade de mudanças bruscas na sociedade. Mesmo que estas mudanças ocorram apenas a partir do ano que vem.
João Pedro Stédile, coordenador nacional do MST, não vê perspectivas de melhorias no governo Lula. Governo que, para ele, já acabou. ''Estamos tentando mostrar para a sociedade que apenas com luta é que podemos mudar a realidade econômica e política do Brasil. Temos consciência de que isso vai acontecer lentamente. Não vai dar tempo de fazer a mudança no governo Lula. Esse governo como todos podem ver nos jornais já acabou'', afirmou Stédile, que sempre apoiou Lula.
O líder dos sem-terra apontou o modelo econômico como sendo o culpado pela corrupção política e pela troca de benefícios e dinheiro por voto no Congresso Nacional. ''Essa crise, tanto a corrupção como a crise política mesmo de Lula, tem como motivo o fato de que não houve uma política popular para o País. O povo está apático porque os problemas existentes no Brasil não foram resolvidos. O poder aquisitivo está cada vez menor, as promessas de dobrar o salário mínimo, que hoje deveria ser de R$ 454, reforma agrária, saúde e dignidade de moradia não foram cumpridas. O povo só vai se sentir aliviado com uma mudança da política econômica'', ponderou Stédile.
Os manifestantes exigiam as reformas política e tributária, queda dos juros, orçamentos participativos e cumprimento da Constituição Federal que garante os direitos básicos de acesso à saúde, lazer, alimentação, emprego e educação. ''A crise política do Lula não é por causa da corrupção. É por falta de destino, de modelo econômico. Não se tem projeto para conduzir a nação. Se aplicou a mesma política neoliberal que foi implementada há dez anos e que não estava dando certo. Na essência, ainda vivemos uma grave crise econômica que é reflexo da desarmonia econômica'', considera Stédile.


