O coordenador nacional do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, anunciou que, a partir de julho, a entidade vai se engajar na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. ‘‘Nos engajaremos com muita força na campanha de Lula’’, declarou ontem, quando fez um balanço das ações do MST este ano, no Sindicato dos Engenheiros.
As formas de atuação do MST na campanha eleitoral serão definidas no encontro nacional do movimento, entre 3 a 6 de fevereiro, em Vitória (ES). Mas adiantou que, a partir do segundo semestre, ‘‘além de continuar ocupando o latifúndio improdutivo’’, formarão um comitê de apoio a Lula, promoverão marchas para ‘‘conscientizar’’ a população a rejeitar o projeto de Fernando Henrique Cardoso.
O trabalho de apoio vai envolver os assentados que o MST mantém em 500 municípios, de acordo com Stédile. O apoio à reforma agrária declarado pelo PT não é o único motivo para o engajamento, segundo o coordenador do MST. ‘‘Qualquer um pode dizer isso’’. A decisão, de acordo com ele, foi tomada porque Lula é o único que poderá superar os ‘‘graves bloqueios econômicos’’ do crescimento do país, na avaliação do MST: a dependência externa e o ‘‘domínio do capital financeiro’’.
Na opinião de Stédile, se Lula não vencer e não mudar a política econômica do País, ‘‘a população brasileira pode ser levada a ocupar bancos’’. O coordenador do MST afirmou que, quando fez esta mesma avaliação, na semana passada, não fez nenhuma pregação para a invasão de bancos.
‘‘Na campanha presidencial, vamos nos mobilizar porque, para nós, ela é mais importante para a sociedade do que a ocupação de latifúndios’’, afirmou Stédile.

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