Líder do governo tenta evitar adiamento
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terça-feira, 09 de dezembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaComo estáO líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães, quer evitar alterações na proposta da PrevidênciaA aprovação da reforma previdenciária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, amanhã, vai depender do poder de sedução do governo e de seus líderes aliados sobre a base de apoio parlamentar. O líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), não quer mais adiar a votação da emenda constitucional, mesmo com o risco de a proposta ser alterada e, consequentemente, devolvida ao Senado. Isto porque ainda é grande a resistência de deputados da própria base ao dispositivo que prevê cobrança de contribuição previdenciária aos inativos da União. Mas os aliados têm um trunfo para impedir o atraso da reforma.
Se depender de mim, o texto ficará como está, insistiu o líder do governo na Câmara, deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA). Vamos votar a emenda impreterivelmente na quarta-feira (amanhã), sobretudo porque vamos deixar para discutir o mérito na comissão especial, garantiu o líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE). A CCJ tem competência para analisar a admissibilidade da emenda constitucional e é em comissão especial, e num prazo maior (até 40 sessões), que se discute o conteúdo da proposta.
Embora os dois líderes estejam intransigentes quanto à desistência da cobrança de contribuição a inativos e argumentem que não há dúvida da constitucionalidade desta proposta, é incerto o apoio da base governista para que a reforma passe nesta primeira etapa na Câmara. Tanto que, na última quinta-feira, o governo desistiu de tentar aprovar a emenda na CCJ, embora o quórum estivesse alto. Passaram pela comissão todos os seus 52 integrantes. Não havia clima para votar a reforma naquele dia, justificou o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), cotado para ser o relator da previdência na comissão especial.
O governo insiste em manter a cobrança no texto da reforma, mas auxiliares do Palácio do Planalto trabalham com a hipótese de sofrer uma derrota já na CCJ. Isso, a princípio, implicaria o retorno da emenda ao Senado, por onde tramitou ao longo deste ano, e condenaria a reforma previdenciária a um pingue-pongue sem fim. O que o governo não quer é que a emenda volte ao Senado, afirmou Inocêncio Oliveira.
O presidente da CCJ, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), carrega um trunfo para o caso de a emenda ser alterada na comissão. Ele insiste que a alteração de emendas constitucionais em uma das Casas, sem que esta necessariamente tenha que voltar para a outra Casa, tem precedente. Trata-se da emenda constitucional nº 3, de 1993 - um pacote enviado à Câmara pelo então governo Itamar Franco, com várias alterações no sistema tributário nacional e suas consequências jurídicas. A proposta foi alterada no Senado, a pedido do senador Josaphat Marinho (PFL-BA), que discordou da permanência do artigo que tratava da ação direta de interpretação do Direito Federal.


