Curitiba - A instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os contratos firmados com as concessionárias que operam o pedágio no Paraná tem colocado os deputados sob pressão na Assembleia Legislativa do Estado. O recado é que o governo estadual não quer nem ouvir falar em uma investigação que pode comprometer as negociações que estão em andamento com as concessionárias. Desde o início do ano, o governador Beto Richa tenta conversar sobre uma posível redução no preço das tarifas praticadas. A decisão para a instalação da CPI, que agora cabe à presidência da Assembleia, deve sair até o início da semana que vem.
Até lá, o líder do governo na Assembleia, deputado estadual Ademar Traiano (PSDB), está empenhado em unir esforços para impedir que a CPI se inicie. Esta semana, o deputado Cleiton Kielse (PMDB) voltou a cobrar da presidência da Casa a formação da CPI. No final da sessão plenária de ontem, Traiano reuniu os parlamentares para, segundo ele, explicar os motivos pelos quais acredita não ver necessidade na abertura da comissão. No entendimento dele, para abrir a CPI, o Kielse precisaria colher novamente as 18 assinaturas (o correspondente a um terço dos deputados).
''Quando a CPI foi proposta (no primeiro semestre) pedimos que a comissão não fosse instalada porque não havia qualquer fato novo que justificasse isso. A presidência concordou com o argumento e o processo foi extinto. Agora, o deputado Kielse fez um novo requerimento e o presidente, Valdir Rossoni (PSDB), reconsiderou o pedido. Para reiniciar a abertura da CPI, o deputado deve colher novamente as assinaturas'', argumenta Traiano.
O líder do governo na Casa negou ainda que tenha pedido aos demais deputados que retirem as assinaturas da CPI. ''Isso é uma decisão que cabe a cada parlamentar'', respondeu Traiano. Ele lembra, por exemplo, que o assunto já foi alvo de uma outra CPI no início do governo de Roberto Requião (PMDB) e que não houve resultados práticos.

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