Brasília - O líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), informou ontem que o governo federal deverá hoje iniciar o anúncio de cortes de gastos de caráter administrativo. Após a perda do selo de bom pagador do país, a medida tem a intenção, segundo o petista, de sinalizar que o governo resolveu "cortar na própria carne" e reagir. "Ter a nota rebaixada preocupa, mas te faz agir. A partir de amanhã (hoje), o governo começa a anunciar as primeiras medidas de caráter administrativo porque o governo vai trabalhar no enxugamento da sua estrutura, no enxugamento de ministérios, na revisão de contratos e de prestação de serviços", explicou Delcídio.
Segundo o senador, no entanto, as medidas deverão se restringir a cortes em relação à prestação de serviços terceirizados, contratação de transportes e despesas básicas das pastas. A redução no número de ministérios deve ficar para a próxima semana, quando o governo deve apresentar as ações de caráter mais aprofundado, como a reavaliação de programas do governo e questões estruturais. A estratégia foi definida junto com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que concordou que é preciso acelerar o processo.
Durante o encontro, Dilma negou que o rebaixamento da nota de crédito do Brasil configure um "cenário catastrófico" para o país, mas pediu urgência para sua equipe anunciar cortes de gastos públicos. A orientação da presidente é deixar claro que o governo vai buscar cumprir a meta de superavit primário de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano. Para isto, será anunciado até a próxima semana um conjunto de medidas de corte de gastos e aumento de receitas para fazer um esforço fiscal da ordem de R$ 64 bilhões, o necessário para zerar o deficit de R$ 30,5 bilhões previsto no Orçamento de 2016 enviado ao Congresso e garantir a parte do governo no superavit do setor público no ano que vem.

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