Líder do governo exige o apoio do PV e de 'rebeldes'
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quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O líder do governo na Assembléia Legislativa, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), sugeriu ontem que conta com o apoio de parlamentares de partidos de oposição na votação do ''pacote'' de aumentos. Romanelli se refere a membros do PSDB, PPS e PR. A única deputada do PV na Casa, Rosane Ferreira, também entraria nos cálculos do líder do governo. O PV e o PR, junto com o PSB e o PRB, integram o bloco independente, que já fechou questão contra as três mensagens do governo do Estado relacionadas aos aumentos do IPVA, de taxas do Detran e a mudanças no ITCMD (''imposto sobre herança''). O PSDB e o PPS, assim como o PTB, o PDT e o DEM, também fecharam questão contra o aumento.
Desde o início da legislatura, a base do governo da Casa se manteve em maioria (30 a 35 deputados, de um total de 54) em função do apoio de integrantes de partidos de oposição. Oficialmente, entretanto, a base é formada somente pelas bancadas do PMDB e do PT, que juntas contam com 22 deputados, seis a menos do que o número necessário para aprovar as três mensagens. Romanelli acredita que quatro membros do PSDB (Luis Fernandes Litro, Luiz Nishimori, Miltinho Puppio e Francisco Buhrer) e um do PPS (Felipe Lucas), que desde o início do ano votam a favor da maioria das mensagens enviadas pelo Executivo, continuarão ''coerentes'', apesar das decisões partidárias sobre o ''pacote'' de aumentos.
Já a deputada do PV pode ter que prestar contas ao comando da sigla caso siga a orientação fechada no bloco independente. O atual presidente do PV no Estado, Melo Viana, pertence aos quadros do governo Requião (PMDB). ''Eu quero o voto dela aqui'', disse Romanelli. Desde o início do ano, Rosane tem se posicionado fortemente contra as decisões do governo na área da saúde. Já o deputado Carlos Simões (PR), por ter entrado no partido depois da formação do bloco independente, deve permanecer apoiando o governo.
A situação da base, entretanto, não está fácil. O líder do PSDB, Ademar Traiano, garante que a bancada tucana vai votar contra o governo. Apenas o deputado Puppio, que assumiu a vaga no lugar do tucano Nelson Garcia, pode apoiar a base. Garcia, secretário de Estado do Trabalho, pertence à parcela do PSDB que integra o governo Requião pós-eleição. ''Puppio é um caso delicado, mas os demais estão garantidos'', comentou Traiano.
Além disso, pelo menos três integrantes da bancada do PMDB - Mauro Moraes, Stephanes Júnior e Edson Strapasson - já reclamaram do ''pacote''. Ontem, a bancada do PMDB fechou questão a favor das mensagens. Romanelli admitiu que a decisão não foi unânime, mas que todos devem seguir a orientação da maioria. ''A decisão também serve de referência ao restante da base. Vamos conversar com o PT e os demais'', adiantou ele. Mauro Moraes não foi à reunião.
A sugestão do presidente do Legislativo, deputado Nelson Justus (DEM), em realizar audiências públicas para esclarecer o conteúdo das mensagens, foi aceita ontem pelos líderes da Casa. Na próxima terça-feira, está confirmada uma discussão sobre as taxas do Detran. No dia seguinte, a mensagem sobre o IPVA também será debatida. O ITCMD já foi tema de encontro, anteontem. ''Vamos jogar até os 90 minutos'', disse Justus.


