Líder do governo cobra reunião de Dilma com Beto
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
José Lazaro Jr. <br> <br> Reportagem Local 
Curitiba - Faz quatro meses que Beto Richa (PSDB) aguarda por uma audiência com a presidente da República, Dilma Rousseff (PT). O ofício requisitando o encontro foi encaminhado para Brasília no dia 16 de agosto, logo após o anúncio do Programa de Investimento em Logística do governo federal. A medida prometia R$ 133 bilhões em obras no País, mas nenhuma no Paraná. O fato foi lembrado ontem, na Assembleia Legislativa (AL), pelo líder de Beto, Ademar Traiano (PSDB).
Desde agosto o clima entre os governos estadual e federal anda tenso, com trocas de acusações de ambos os lados. Na Assembleia, isso tem refletido no comportamento das bancadas de oposição e situação, cujos debates em plenário ficaram mais frequentes nas últimas semanas. Ontem, o deputado estadual Tadeu Veneri (PT) distribuiu uma análise das finanças do Estado em que culpa queda na arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) pela ''perda de dinamismo'' na economia do Paraná.
''A situação financeira do Estado é preocupante. Enquanto as despesas crescem 17%, a receita cresce 12%. Com isso, o superávit primário teve uma queda de 29% que compromete o equilíbrio fiscal e reduz a margem de investimento'', argumenta a oposição. Veneri diz isso em resposta a críticas de Traiano ao governo Dilma, acusado por ele de discriminar o Paraná no repasse de verbas federais. ''O deputado Ênio Verri (do PT) soltou foguetes na semana passada porque a ministra Gleisi Hoffmann anunciou o repasse de R$ 10 milhões em dinheiro federal para obras no litoral do Paraná. Ótima notícia, não fosse o fato de que o governo federal nos dá R$ 10 milhões com uma mão e retira R$ 1 bilhão com a outra'', atacou o tucano.
''O Paraná vai perder R$ 450 milhões com os prejuízos causados a Copel pela mudança das regras do jogo do setor elétrico; outros R$ 150 milhões com o veto de Dilma a distribuição igualitária dos royalties do petróleo, R$ 100 milhões da Cide e outros R$ 300 do Fundo de Participação dos Estados'', contabiliza Traiano. A bancada do PT não concorda com essa leitura, especialmente sobre o setor elétrico. Há duas semanas o Paraná anunciou que ficaria de fora do programa de desoneração da energia, junto com outros estados brasileiros governados por tucanos. A medida foi vista na política nacional como a antecipação da disputa presidencial de 2014, apesar das negativas do PSDB.
O clima promete permanecer quente na AL até o recesso parlamentar, agendado para 22 de dezembro. Ontem Traiano confirmou que continuarão chegando projetos de lei de interesse do governo até a última hora. Para saciar esses pedidos, o presidente da AL, Valdir Rossoni (PSDB), confirmou que ''muito provavelmente'' haverá sessão extraordinária também na quinta-feira que vem, dia 20 de dezembro.


