Curitiba - O líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), admitiu ontem que o recuo do Executivo em relação ao chamado 'pacote' de aumentos é uma tentativa de evitar desgaste político. Ele negou que a decisão do governo do Estado em retirar da pauta da Assembléia as mensagens que tratavam do aumento das alíquotas do IPVA, das taxas do Detran e das mudanças no ITCMD (''imposto sobre heranças''), na última sexta-feira, teria ocorrido em função da possibilidade de derrota na Casa, já que a oposição contava informalmente com pelo menos 32 votos, maioria no plenário.
Romanelli explica que o desgaste político ocorreria porque a oposição e um ''segmento da imprensa'' já teriam ''escandalizado'' o tema. ''Não estamos propondo aumentos, são apenas adequações. Mas resolveram escandalizar, como se tivéssemos cometendo um crime.'' afirmou.
Segundo ele, a retirada das mensagens beneficia ''apenas os ricos''. Ele se refere a uma das mudanças proposta no ITCMD, que criava uma faixa de isenção para heranças de até R$ 50 mil, e a duas emendas que a bancada do governo pretendia apresentar à mensagem que aumentava as alíquotas do IPVA. As emendas isentavam do pagamento os carros de passeio de até 1000 cilindradas e todas as motocicletas de 125 cilindradas (e não apenas as motocicletas de 125 cilindradas com dez anos de uso ou mais, em vigor hoje).
Apesar das críticas à oposição, Romanelli admite equívocos. A mensagem do IPVA, por exemplo, deveria ser aprovada 90 dias antes do final do ano, para que o aumento das alíquotas proposto pudesse vigorar já no início de 2008. O Executivo enviou a mensagem ao Legislativo só depois do dia 1º de outubro.
Apesar do aumento das alíquotas do IPVA ter sido descartado, o Executivo deve enviar à Assembléia, até o final do ano, a nova tabela do imposto para o ano de 2008, na qual há apenas uma atualização dos preços ligada aos novos valores dos veículos no mercado. Romanelli confirmou, entretanto, que não há recuo quanto à redução do desconto para quem paga o IPVA à vista.
O líder da oposição, Valdir Rossoni (PSDB), ironizou a justificativa do governo ao retirar as mensagens. ''Eles têm costume de falar que a oposição não ajuda os pobres, mas já decidimos propor inclusive que todas as emendas de isenções do IPVA sejam aprovadas, somos favoráveis, pela primeira vez estamos do mesmo lado.''
O líder do PSDB, Ademar Traiano, garante que sua bancada já fechou questão para evitar a redução do desconto no IPVA para quem optar pelo pagamento à vista.

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