Líder do Executivo recua e omite nomes
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terça-feira, 01 de abril de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O líder do Executivo na Câmara de Vereadores de Londrina, Gláudio Renato de Lima, recuou e preferiu omitir no pronunciamento que fez ontem em Plenário o nome, ou os nomes, de quem lhe teria pedido para propor o substitutivo ao projeto de lei que, em 2006, acabou beneficiando a boate erótica Shirogohan (Zona Leste). A lei originada da matéria é alvo de procedimento investigativo instaurado anteontem pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cujo coordenador, promotor Cláudio Esteves, elencara que a investigação fora subsidiada por 'informações preliminares'' e reforçada por dados divulgados pela imprensa.
A lei, originalmente de mudança de zoneamento na região Leste, tem autoria do vereador Flávio Vedoato (PSC). É no substitutivo encabeçado por Gláudio, contudo, que se abriu a brecha legal contra a obrigatoriedade de que motéis tivessem de cumprir uma distância de 3,5 Km em relação a bairros residenciais, uma vez localizados ao longo de vicinais ou rodovias. Nessa situação, mas sem a mudança na Lei de Uso e Ocupação do Solo Urbano, a Shirogohan se encontrava em situação de irregularidade que acabou sanada no substitutivo. Agora, o Gaeco apura se houve pagamento de propina a fim de que o empresário Claudiomar Medeiros, dono do empreendimento, fosse beneficiado.
Em entrevista à FOLHA, anteontem à noite, Gláudio dissera não ter sido dele a idéia da alteração na lei de Vedoato. ''Vou contar toda a história disso na tribuna'', prometeu. Entretanto, nomes passados pelo petista à reportagem, de maneira informal, e que seriam divulgados ontem, acabaram sendo omitidos no pronunciamento em plenário. ''É um direito que eu tenho. Estou orientado por meu advogado a não falar.'' Indagado por uma repórter se não seria melhor dar os nomes de quem supostamente teria articulado a aprovação da matéria, nos bastidores, o vereador reagiu: ''Eu sei o que é melhor para mim''.
No Plenário, o edil defendeu que a iniciativa não tinha ilegalidade, fez ataques velados ao veículo de comunicação que o citou e defendeu a boate beneficiada, ainda que indiretamente, pelo substitutivo. ''O empreendimento está em área industrial, não residencial, e há anos. Ontem (segunda), tomei o cuidado de ligar na prefeitura, no setor de alvarás, e vi que o estabelecimento não tem nenhuma reclamação (de vizinhos) - ao contrário de muitos bares da moda, alguns até bem frequentados por quem gosta de escrever bobagem em jornal'', atacou.
O presidente da Casa, Sidney de Souza (PTB), também defendeu a legalidade do substitutivo - ao qual ele foi favorável, à época da votação. Sobre a origem do pedido para que o substitutivo fosse votado - em coletiva, uma emissora de TV colocou que empresários teriam pedido a aprovação ao veerador -, Souza respondeu: ''Tem que haver alguém provocando o vereador: ele não acorda com a vontade de apresentar um projeto, e isso acontece sistematicamente. Mas não quer dizer que é ilícito''.


