Brasília - O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), admitiu ontem que se reuniu na quarta-feira com o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), em sua casa, para discutir o comportamento do partido nas votações dos processos contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).
O PMDB deu início a uma ofensiva entre os senadores do DEM que integram o Conselho de Ética para tentar buscar votos favoráveis a Sarney no colegiado.
Agripino negou que tenha cedido aos apelos do líder peemedebista para que os três senadores do DEM no conselho votem pelo arquivamento definitivo dos processos contra Sarney -mas admitiu que conversou com Renan sobre a proposta.
''Eu comuniquei-lhe que os três votos do Democratas seriam pelo desarquivamento dos processos, portanto favoráveis à instalação das investigações e contrários à decisão do senador Paulo Duque (PMDB-RJ). Disse que, se perdêssemos, recorreríamos ao plenário do Senado'', afirmou.
Agripino divulgou nota oficial para negar um suposto ''acordão'' do governo com a oposição para beneficiar Sarney.
O líder do DEM nega que tenha feito qualquer acordo ao afirmar que teve apenas uma conversa de ''posicionamentos'' sobre os processos contra Sarney.
O democrata disse que comunicou o ''teor'' da conversa com Renan ao presidente da legenda, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e ao presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), ''que de pronto manifestaram-se acordes com esse posicionamento''.
Com a indefinição na bancada do PT sobre como irá votar nos processos contra Sarney, o PMDB passou a buscar votos na oposição para livrar o presidente do Senado. A investida começou pelo DEM, uma vez que a legenda apoiou a eleição do peemedebista para o comando da Casa.
Com a crise política, os democratas se uniram ao PSDB para propor representações e denúncias contra Sarney no Conselho de Ética.
O PMDB precisa de oito dos 15 votos para livrar Sarney. Tem seis - três peemedebistas, mais Gim Argello (PTB-DF), Romeu Tuma (PTB-SP) e Inácio Arruda (PC do B-CE). Faltariam dois.

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