O líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Valdir Rossoni (PTB), disse ontem em Curitiba que o governador Jaime Lerner (PFL) contará com o respaldo da bancada aliada no caso do aumento do pedágio nas rodovias do Anel de Integração do Paraná, mesmo que a opção a ser seguida pelo governo estadual seja antipática para a população e os usuários do sistema de rodovias entregues a concessionárias. ‘‘Toda medida, seja popular ou impopular, será discutida aqui com transparência. Por mais difícil que seja a defesa de uma posição, se precisar, faremos a defesa do aumento’’, declarou o deputado.
Rossoni fez um discurso assinalando que o impasse governo-concessionárias (que querem o aumento) ‘‘não interessa a ninguém, nem ao governo e nem ao povo’’. E ressaltou que, mesmo sendo a decisão de caráter administrativo - cabe ao governo decidir se vai aumentar ou não o pedágio - os deputados vão emprestar aval. A Assembléia não pode impedir aumentos, por se tratar de um contrato entre o governo e as companhias que exploram o sistema.
O deputado concordou com as declarações do presidente Aníbal Khury (PFL) que, anteontem, relacionou a redução das tarifas em 50%, em julho, com o processo eleitoral que estava em andamento. ‘‘Toda a ação que gere uma cobrança em épocas de eleição, tem de ser evitada’’, avaliou o líder.
Rossoni diz que o movimento das concessionárias pelo reajuste era esperado e se precipitou com o discurso de Divanir Braz Palma (PBB) que, na semana passada, usou a tribuna para defender o diálogo entre as partes. ‘‘Acho que o governo deveria ter adiado não só a cobrança do pedágio, mas a sua implantação. O impasse que estamos vivendo hoje com as concessionárias é um ônus que temos de enfrentar. Se o governador tivesse agido meramente sob o ponto de vista político, não teria optado por melhorar a qualidade das rodovias’’, ressaltou.
O líder do governo disse que a situação como está ‘‘não pode continuar’’. O deputado defendeu a formação de um forum de discussões. ‘‘Não vai haver anúncio de aumento sem que sejamos ouvidos’’, assegurou Rossoni. Segundo ele, a reunião com o secretário dos Transportes, Heinz Herwig, foi bastante ‘‘esclarecedora’’. Com medo de assumir uma posição mais forte - como foi a do presidente da Assembléia que acha que deve haver reajuste sim - Valdir Rossoni não quis fazer projeções de índices de reajuste que vêm sendo ventilados no governo.
O discurso de Rossoni não encontrou resistência na bancada governista, integrada por cerca de 40 parlamentares. A oposição, que hoje é minoria, com cerca de 15 parlamentares, voltou a bater na tecla de que um aumento nesse momento não se justifica. Pericles Mello, líder do PT, novamente defendeu a instalação de uma CPI para investigar o caso. A oposição suspeita que o governo está favorecendo as concessionárias ao conceder um reajuste agora.
‘‘Estelionato’’ O senador Roberto Requião (PMDB) disse ontem que as declarações do presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), de que a redução das tarifas de pedágio deu-se num ‘‘momento eleitoral’’ e que agora precisam ser rediscutidas com o governo, sob a ameaça das concessionárias abandonarem as rodovias, confirma que o que houve no Paraná foi um ‘‘estelionato eleitoral’’.
Derrotado nas eleições de outubro, o senador partiu para o ataque ao governo, tendo o cuidado de preservar Aníbal Khury. ‘‘O deputado Aníbal, com a sua sinceridade cortante de fio de navalha degolou a imoralidade da reeleição do governador Jaime Lerner’’, declarou, por telefone. Requião disse que um aumento agora traz prejuízos à população.
O senador afirmou ainda que já acionou seus advogados para discutir a viabilidade de uma ação na Justiça. ‘‘Isso merece uma investigação judicial’’, justificou. Para Requião, o anúncio de redução, feito em julho passado, teve como objetivo único angariar votos os eleitores. ‘‘Eu tinha alertado para essa manobra, que veio à tona agora’’, emendou.
A Folha tentou contato com o Palácio Iguaçu para repercutir as declarações de Requião e de Aníbal Khury. A assessoria do governador Jaime Lerner informou que o governador não pôde retornar o telefonema por estar reunido em Brasília com o ministro da Justiça, Renan Calheiros.

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