Curitiba – O líder do governo Beto Richa (PSDB) na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), fez ontem um discurso de "solidariedade" ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conduzido coercitivamente a depor na Polícia Federal (PF) na última sexta-feira, quando foi deflagrada a 24ª fase da Operação Lava Jato. Segundo o peemedebista, que é graduado em Direito, a medida contraria o Código de Processo Penal e, ao mesmo tempo, atenta contra a dignidade humana, uma vez que Lula não foi intimado antes. As palavras de Romanelli acabaram gerando mal-estar entre membros da bancada aliada ao tucano.
"Todos nós, paranaenses e brasileiros, aplaudimos e admiramos a coragem do juiz Sérgio Moro, dos procuradores que trabalham na Lava Jato, e queremos que esse trabalho chegue ao fim; que todos aqueles que desviaram dinheiro público sejam punidos. Por outro lado, nós vivemos num Estado Democrático de Direito, e é necessário que todas as garantias individuais sejam preservadas", afirmou. Para o parlamentar, os magistrados que conduzem a operação também precisam pensar "no dia seguinte", isto é, nos desdobramentos de suas ações. "E também tem uma coisa, que obviamente muitos vão ficar surpresos: não dá para tratar um ex-presidente da República, eleito duas vezes pelo povo brasileiro, como se fosse um cidadão comum", completou.
O deputado Pedro Lupion (DEM) disse que o colega não deveria utilizar o horário da liderança para fazer um discurso contrário à base. "Posso e vou", retrucou o peemedebista. De acordo com Lupion, há quatro dias 80% da população brasileira acordou com um "traço de esperança, uma perspectiva de mudança no País". "Somos todos iguais perante à lei. Não cabe a este plenário perder tempo com discussões divididas, se a ação do juiz se aplica ao caso ou não. O mais importante é que as investigações avançam na Lava Jato, operação que detona o maior esquema de corrupção conduzido por um partido político."
O líder da oposição, Requião Filho (PMDB), por sua vez, criticou o que chamou de indignação seletiva dos governistas. "Por que trazer para esta Casa tantos escândalos federais e fechar os olhos para os escândalos do Paraná? Tenham esta paixão toda para cobrar honestidade, mas, antes de jogar pedra no telhado do vizinho, lembrem-se que o de vocês é de vidro", disparou, em relação às operações Quadro Negro e Publicano.

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