A Polícia de Umuarama está à procura do adolescente P.F.S., acusado de ter disparado dois tiros contra a casa e a família do presidente da Associação de Combate à Corrupção de Umuarama (Accepa), o vendedor autônomo Osmair Salustiano Santos. Este foi o segundo ataque em uma semana contra a família de Osmair e aconteceu no último sábado à noite. Na madrugada do dia 12, dois rapazes também dispararam pelo menos 5 tiros na casa de Osmair, na Rua Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Independência, zona oeste. Osmair também presidente a associação de moradores local.
No ataque do último sábado, o adolescente P.F.S. teria invadido duas vezes a casa do presidente da Accepa. Na primeira, por volta das 19h30, ele chegou no quintal e disparou, fugindo em seguida. Osmair e a mulher se encontravam no interior da residência. Cerca de uma hora mais tarde, quando Osmair estava na delegacia registrando queixa, P.F.S. foi mais ousado, arrebentou a porta da casa e fez ameaças de morte diretamente à mulher de Osmair, Renilda dos Santos.
Renilda conta que ao ver o rapaz, correu para o quarto e quase foi atingida por um tiro de revólver disparado por P.F.S. em sua direção, que por pouco não a atingiu. Os ataques aconteceram logo após uma patrulha da Polícia prender no bairro Michael Alves da Silva, de 19 anos, um dos acusados de ter atirado contra Osmair no dia 12.
A tentativa de homicídio contra Renilda revoltou a cidade e mobilizou várias entidades de Umuarama. Ontem, o advogado Acir Borges Monteiro entregou aos juízes e promotores um manifesto assinado por 22 entidades e associações pedindo proteção e garantia de vida para a família de Osmair. O presidente do Comitê Estadual de Combate à Corrupção, advogado Marino Galvão, de Curitiba, informou que também está pedindo providências ao governo do Estado e ao Poder Judiciário. Segundo Galvão, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) responsável pelo movimento de combate à corrupção política e administrativa também deve se manifestar sobre o caso.
O presidente da Accepa suspeita que os ataques estejam ligados às denúncias de fraude eleitoral e irregularidades administrativas feitas contra o grupo do prefeito reeleito Fernando Scanavaca, mas passou a evitar fazer declarações neste sentido, temendo ser processado pelo prefeito. Até agora não há indícios de motivação política. As investigações da Polícia apontam para desentendimentos entre gangues do bairro e Osmair.
Os três suspeitos do primeiro atentado negaram participação e afirmaram que Osmair não é benquisto no bairro. ‘‘Eles disseram que proibi jogos de futebol no campo da associação, mas isto não é verdade. O campo é aberto e frequenta quem quer’’, defende-se o presidente da associação.
Osmair disse ainda que nunca teve problemas no bairro e a perseguição à sua família começou durante a campanha eleitoral, quando assumiu a presidência da Accepa. Durante a campanha, também foram disparado tiros contra a casa dele. ‘‘Me parece muita coincidência’’, disse.

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