Dois homens dispararam tiros ontem de madrugada contra a casa do presidente da Associação de Combate à Corrupção de Umuarama (Accepa), o vendedor autônomo Osmair Salustiano Santos. O presidente da Accepa quase foi atingido por um dos disparos enquanto tentava identificar, pela janela, quem eram os agressores. Uma bala quebrou o vidro da janela e os estilhaços feriram o rosto dele. Osmair mora na Rua Nossa Senhora Aparecida, no Jardim Independência, e também é presidente da associação de moradores da área.
Osmair afirma que viu e conhece quem atirou. Ele diz que são dois rapazes, moradores do bairro. ‘‘Outras pessoas também os viram’’, informou. Osmair estava dormindo com a mulher e os três filhos. Todos acordaram com gritos, barulho de pedradas e tiros. A Polícia chegou em seguida e depois que saiu para levar Osmair ao hospital, os rapazes teriam voltado e dado mais três tiros contra a casa. Osmair pediu proteção policial, mas disse que vai continuar morando na casa.
O vendedor foi ouvido ontem à tarde pela delegada Rosimari Silva de Souza, que não quer divulgar os nomes dos suspeitos para não atrapalhar as investigações. Esta seria a segunda tentativa de homicídio contra o presidente da Accepa. Durante a campanha eleitoral, alguns tiros teriam sido disparados também contra a casa dele durante à noite. Osmair registrou queixa, mas a Polícia não encontrou nenhum vestígio de disparos.
Eleito em setembro de 2000 presidente da Accepa, entidade criada pela Diocese de Umuarama para apurar denúncias de corrupção eleitoral e administrativa, Osmair acredita que os atentados estão ligados às denúncias feitas contra o grupo do prefeito eleito Fernando Scanavaca (PPB). ‘‘Desde que começamos este trabalho, venho recebendo ameaças’’. A Accepa cobra a apuração de supostos crimes e fraudes eleitorais e irregularidades na prefeitura. Também acusa o Ministério Público e o Poder Judiciário de serem coniventes.
Segundo Osmair, a maioria das denúncias foi julgada improcedente pela Justiça. Algumas ainda não foram julgadas. Entre elas, o flagrante de um carro da prefeitura distribuindo cestas básicas na favela poucos dias antes da eleição. Em setembro do ano passado, a Accepa protocolou na Procuradoria da República em Umuarama requerimento solicitando a investigação de um contrato de serviços de terraplenagem com indícios de fraude. Osmair disse ainda que todos os pedidos de informações feitos à prefeitura até agora foram ignorados.
A prefeitura está em férias coletivas. O chefe de gabinete, Valdir Miranda, disse ontem que Osmair está sendo inconsequente em apontar suspeitos sem provas. ‘‘Indiretamente, ele está acusando o prefeito de tentativa de assassinato e isto é muito grave’’. Segundo Miranda, até agora a prefeitura não recebeu nenhuma denúncia. Ele disse que todos os pedidos de informações solicitados pela Câmara foram respondidos. Disse ainda que o município não tem obrigação de dar informações à Accepa, até porque a entidade não está legalizada. ‘‘Além disso, a Accepa não protocolou nenhum pedido’’, completou.

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