O presidente do Conselho de Trânsito de Londrina (CTL), Edno Costa Moreira, acusa a Junta de Recursos Interpostos (Jari) – onde são julgados os recursos referentes a multas – de ser formado por apadrinhamento político. A Jari funciona junto à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e ainda é formada por membros da gestão do ex-prefeito Jorge Scaff (PSB). O presidente da Junta é José Righi de Oliveira, ex-secretário de Obras nomeado ainda na gestão do prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido).
Segundo Moreira, no final do ano passado foi publicado um decreto tirando o representante do Ministério Público (MP) na Jari. O decreto também estabeleceu a reeleição para os membros da junta, cujo mandato é de um ano. Ele também questiona os salários pagos os membros da Jari.
‘‘Não estamos caçando bruxas, só queremos transparência para saber quais sãos os critérios técnicos para deferir e ou indeferir as multas’’, comentou. Moreira comentou ainda a falta de defesa prévia. ‘‘Eles (Jari) indeferiam diretamente o recurso prévio e a pessoa recebia uma carta de indeferimento antes da lavratura da multa, sem analisar.’’
O presidente da CMTU, Wilson Sella, criticou a posição de Moreira. ‘‘A discussão é importante, mas acho um pouco estranho não ter ocorrido antes.’’ Segundo ele, os sete conselheiros recebem R$ 649,00 por duas reuniões mensais e cada um analisa 100 processos por mês.
Sella disse que o objetivo da formação da Jari foi contemplar o que prevê o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com representantes da Câmara, do sindicato dos Taxistas e da própria CMTU, que recebem treinamento para essa função. ‘‘Eu desconheço se houve apadrinhamento político.’’
O presidente da CMTU afirmou que Moreira não tem ‘‘conhecimento de causa’’ sobre o processo de defesa de multas. Ele explicou que na defesa prévia, a CMTU faz apenas uma análise da consistência do alto de infração e não o mérito da defesa. A Folha não encontrou Righi de Oliveira.

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