A líder comunitária Sônia Duarte Barbosa prestou ontem novo depoimento em inquérito da Polícia Federal (PF) sobre eventual crime eleitoral que teria sido cometido pelo presidente da Câmara Municipal, Sidney de Souza (PTB), nas eleições municipais de 2004. A investigação foi instaurada em outubro daquele ano a partir de reportagem da TV Tarobá que apresentou denúncia de alguns moradores do Jardim Panissa de que Barbosa, que era cabo eleitoral, estaria condicionando a concessão da tarifa social da Sanepar ao voto em Sidney de Souza. A Polícia Federal (PF) já realizou uma perícia na fita e fez a degravação das declarações. O inquérito foi iniciado pelo delegado Pedro Paulo de Figueiredo, mas hoje está a cargo do delegado Paulo Renato de Souza Herrera.
Ao chegar à PF, a líder comunitária confirmou que trabalhou por oito anos para o vereador e que fazia cadastros da ''baixa renda d'água''. Ela negou, porém, que trocasse a inclusão no cadastro pelo voto no vereador e que tenha ameaçado uma testemunha a excluí-la do benefício se não retirasse a propaganda de um outro candidato no muro de sua casa.
O depoimento de Sônia Barbosa durou pouco mais de duas horas e não foi acompanhado por advogados. Ao deixar a sede da PF em Londrina, ela não quis se pronunciar.
A FOLHA apurou que o novo depoimento, avaliado como positivo, foi decidido após a denunciante confirmar que foi ameaçada por Sônia Barbosa. A denunciante falou à PF pela segunda vez no fim do ano passado.
O delegado Paulo Renato Herrera não quis conceder entrevista. O vereador Sidney de Souza já prestou depoimento e negou as denúncias. ''Jamais autorizei qualquer pessoa a condicionar qualquer benefício em troca de votos'', disse à FOLHA em 2004.

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