O líder do prefeito Nedson Micheleti (PT) na Câmara Municipal, Lourival Germano (PT), está trabalhando nos bastidores para tentar dissuadir os sete vereadores que votaram contra o projeto que propõe a revogação da lei que condiciona a venda de ações da Sercomtel à realização de plebiscito, na primeira discussão da matéria. No dia 24, Nedson admitiu que tem pressa na votação da matéria, que foi retirada de pauta por tempo indeterminado.
''Estamos conversando com cada vereador, colocando o ponto de vista do prefeito. Realmente existe o interesse que a gente coloque em pauta esse projeto. Estamos discutindo com os vereadores mas não dá para colocar em pauta sem que haja entendimento com os vereadores, a garantia do voto'', esclareceu Germano. ''Precisamos resolver isso o mais rápido posível. Assim que for oportuno e houver entendimento entre os vereadores, esse projeto será chamado à pauta. Independentemente se as galerias estiverem lotadas ou não'', disse. Germano ainda não descartou a possibilidade de pedir a segunda votação do projeto na sessão de hoje. ''Não posso dizer que não, mas é muito difícil. Se houver entendimento será chamado sim.''
O vereador salientou que é preciso separar o debate em torno do plebiscito e da venda da Sercomtel. ''Estou passando o maior número de informações para que os vereadores possam entender qual a finalidade dessa matéria. Não estamos tratando da venda da Sercomtel, mas da derrubada do plebiscito. A venda é uma discussão para o futuro. Precisamos avaliar o mercado, a questão administrativa, a questão econômica da empresa. No momento estamos discutindo o plebiscito. É claro que abre caminho para a venda, mas também passa pela Câmara, pela sociedade'', argumentou.
Ontem, cerca de 80 funcionários da Sercomtel definiram em assembléia a instalação de 20 outdoors contra a venda da telefônica. Nos outdoors serão relacionados os nomes dos vereadores que assinaram um termo se comprometendo a votar contra a derrubada da lei do plebiscito. ''Esses vereadores respeitam a decisão dos londrinenses'', dirá o outdoor. Segundo o diretor do Sindicato dos Empregados em Empresas de Telecomunicações (Sinttel), João Henrique Schmidt, ainda serão relacionados os demais vereadores questionando: ''E os outros?''. Conforme Schmidt, a campanha deverá ser financiada com recursos do Sinttel.
Além das manifestações e o acompanhamento da tramitação do projeto que pede a revogação da lei do plebiscito, os funcionários da Sercomtel ainda estão coletando assinaturas para ajuizamento de uma ação popular para impedir a negociação da empresa. Até o final da semana, haviam sido coletadas cerca de 7 mil assinaturas. ''Vamos continuar até atingirmos o nosso objetivo: 20 mil assinaturas. As pessoas estão apoiando o movimento. O pessoal não quer que vendam a Sercomtel e assinam com certeza. Um ou outro só que questiona se não tem que vender'', relatou um dos membros da comissão de funcionários da Sercomtel, Ivo de Bassi. ''Se for revogada a lei do plebiscito, de imediato entramos com a ação popular.''

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