Curitiba - O líder da bancada aliada do governo do Estado na Assembleia Legislativa (AL), deputado estadual Ademar Traiano (PSDB), deixou claro ontem que o candidato da base à vaga de conselheiro do Tribunal de Contas (TC) do Estado é o procurador-geral do Estado, Ivan Bonilha. Traiano confirmou ainda que fará um ''apelo'' para que o deputado Nelson Garcia (PSDB) desista da disputa. Garcia pertence à base aliada e poderia alterar o número de votos a Bonilha.
''O (governador do Estado) Beto Richa não vai pessoalmente fazer campanha para ninguém, mas temos consciência que o Ivan Bonilha é o nome de simpatia dele, então vamos encaminhar aqui pelo nome dele'', disse Traiano, que comanda uma bancada de cerca de 40 parlamentares. Para ser eleito, um conselheiro do TC precisa de 28 apoios entre os 54 parlamentares.
Traiano acredita que não vai haver dificuldade na aprovação do nome preferido do Palácio das Araucárias e admite a força da indicação política do cargo. ''Sempre os nomes defendidos pelo governo do Estado emplacaram aqui'', disse ele.
Questionado sobre uma eventual desistência, Nelson Garcia negou qualquer possibilidade. ''Não vou abrir mão. Eu sei que é difícil ir contra o governo do Estado. Mas eu sou candidato, nem que seja para fazer um único voto'', disse ele. Garcia disse ainda que só abriria mão de disputar a vaga para o deputado estadual Augustinho Zucchi (PDT), que integra a lista de 14 candidatos. Segundo Garcia, a vaga no TC ''pertence'' à AL: ''Os deputados querem votar nos deputados. Não tem esta unidade em torno do Ivan Bonilha não''.
Garcia também questiona a legalidade da candidatura de Bonilha, já que, como procurador-geral do Estado, ele assinou o decreto que revoga a nomeação de Maurício Requião ao TC, fato que permitiu a abertura de um novo processo eleitoral. ''Ele é interessado no assunto, não poderia ter assinado. E, se eleito para o TC, ele não vai poder julgar as contas do Estado.''
Hoje, às 10 horas, começam as sabatinas dos 14 candidatos ao TC. Três candidatos serão ouvidos reservadamente pela comissão especial formada para analisar os currículos: Andrey Marzanatti Bornia, Ângela Cássia Costaldello e Antonio Rudolfo Hanauer.

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