Curitiba - O reajuste de 6,49% aos servidores públicos estaduais, que antes seria pago em duas prestações pelo governo do Paraná, agora será feito em parcela única. Acordo de líderes, ontem, retirou o projeto da pauta de votação da Assembleia Legislativa (AL). O presidente Valdir Rossoni (PSDB) comunicou aos presentes, durante a sessão, que a proposta voltará à pauta na próxima terça-feira.
A votação da data-base deve ser precedida por uma reunião com o governador Beto Richa (PSDB), que retorna de viagem ao exterior neste final de semana. Ademar Traiano (PSDB), líder do governo, disse que até lá a administração buscará formas de garantir o pagamento em parcela única. Para atender a pedido dos sindicatos presentes, cuja reivindicação é que a reposição da inflação valha para maio, Traiano reconheceu que o pagamento pode ser feito em folha complementar (pago após o depósito normal do salário).
A promessa feita pela liderança do governo foi aceita pela oposição, que concordou com o adiamento. Antes de os deputados estaduais chegarem a esse acordo, houve muita articulação em plenário. Até dar a votação por comprometida, Traiano buscou formas de votar o impacto financeiro original. Com o parcelamento, o governo do Paraná ''economizaria'' R$ 68 milhões em maio e junho (R$ 34 em cada mês).
Enquanto a oposição recolhia assinaturas para protocolar emendas à proposta, vários parlamentares procuraram os deputados do PT para corroborar o pagamento em parcela única, no mês de maio, da data-base. 26 políticos endossaram a proposta, provocando um corre-corre em plenário. Rossoni suspendeu a sessão por quinze minutos, que se transformaram em mais de meia hora. Nesse tempo, Traiano apresentou emenda paralela, sugerindo parcela única em junho.
O impacto financeiro de uma parcela única em junho, para o governo, significaria a mesma ''economia'' de R$ 68 milhões. A oposição disse que não aceitaria e, para reunir as assinaturas necessárias ao protocolo, Traiano recebeu negativas de parlamentares do PMDB, PPS, PSD, PDT e outras legendas da base de apoio. A alternativa foi retirar a data-base da pauta. Durante a suspensão, os sindicatos gritaram palavras de ordem como ''data-base é lei'' e ''maio, maio, maio''.
Nos bastidores, o ''motim'' da base aliada teria ocorrido para pedir mais atenção do governo do Paraná aos partidos que sustentam as votações em plenário. Negar o parcelamento não comprometeria as finanças do governo e tem impacto positivo na opinião pública, num ano pré-eleitoral.

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