Licitação do transporte
A justiça não acatou o alerta do Tribunal de Contas contra a licitação do transporte coletivo de Londrina, o que também não garante a realização do certame, já que novas oscilações judiciais podem ocorrer. A licitação havida em Curitiba até hoje não sofreu restrições, posto que alvo da operação "Riquixá", do Gaeco, e que abrangia processos em outras cidades paranaenses (Foz do Iguaçu, Maringá, Guarapuava) e brasileiras e contou com o respaldo de delação premiada.
Percebe-se a dificuldade de estabelecer segurança nessas normas, como é visível na capital o desnível econômico, financeiro e técnico das empresas que integram o cartel oligopolístico e que geram conflitos de inadimplência contratual com essas organizações produzindo crises no sistema com greves sucessivas em cima de descumprimento de normas singelas de antecipação salarial, nas quais o Ministério Público do Trabalho detectou a existência de paredes que não passavam de locaute patronal.
Guardadas as proporções, a resistência da Transportes Coletivos Grande Londrina em não aceitar os termos da licitação equivaleria às empresas dos Gulin de Curitiba adotarem postura similar na capital, o que seria impensável.
Um detalhe interessante é que a suspensão do processo em Londrina foi tomada pelo conselheiro relator Ivan Lelis Bonilha, do Tribunal de Contas, que como procurador do município da capital orientou o processo licitatório lá realizado.
Persiste a penumbra porque a CMTU, a Urbs londrinense, para enfrentar a emergência prorrogou por seis meses o contrato e tal condição foi acatada, no meio da semana, pelas duas permissionárias.
Nossa inflação
Segundo o IBGE, a inflação em Curitiba chegou a 3,38%, bem abaixo, portanto, do indicador nacional, que foi de 3,75%, quando o parâmetro fixado era de 4,5%. No ano passado a capital já se dera bem com o registro de 3,42%. Vamos bem, de um modo geral, no confronto de indicadores. Perdemos no ranking da renda interna o quarto posto que ocupávamos para o Rio Grande do Sul, com o qual por vezes revesamos. Mas esse peso da economia, tanto dos gaúchos como de cariocas e mineiros, mostra que há uma distância enorme entre a situação fiscal dos respectivos estados, afinal tecnicamente quebrados como unidade federativa, e o mercado considerado em seu todo.
De outro lado, taxa inflacionária é um dos fatores de sustentação de que estamos no limiar de um novo ciclo de desenvolvimento, superadas as sequelas do processo recessivo 2016-2017.
Reação
Apesar do relativismo dos dados levantados sobre a situação fazendária, o governo anterior defende-se das presunções feitas pela equipe de Ratinho Junior: Cida Borghetti encaminhou ao seu sucessor extratos bancários e o ex-secretário da Fazenda, José Luis Bovo, em Maringá, também expôs a sua versão. Melhor assim com o exercício do direito de resposta do que o silêncio, sempre comprometedor. O clareamento disso só virá depois e até lá o bate boca é a linha do noticiário.
Crise
A decisão da Caixa Econômica Federal e possivelmente de outros órgãos federais e estaduais fazendo economia na promoção de times de futebol é algo que agravará a situação dos clubes, em grande parte em situação difícil.
Um recuo diário
O traço mais controverso do governo Bolsonaro tem sido, além da bateção de cabeças, de um recuo, em média, por dia. Em nove dias quase um por dia. Recuar é melhor, quando se evitam prejuízos duradouros ou permanentes, do que insistir, o que se caracterizaria com o vício da soberba.
Indulto
Transformou-se o crime de corrupção no mais nefando de todos e tanto que agora num projeto de indulto de caráter humanitário dele se excluiu esses casos, como já havia sido colocado no ato liberatório de Michel Temer como uma das razões do seu bloqueio. Visa proteger presos com doenças graves ou terminais. Isso já está virando modismo, pois afinal a condição de sofrimento deveria ser o fator mais relevante. Na hora em que um acusado de corrupção morrer na prisão o quadro vai mudar.
Folclore
Por falar em corrupção, nenhum partido a utilizou tanto como bandeira-chave quanto a União Democrática Nacional, que tinha um Pedro Aleixo quanto um Carlos Lacerda. Meio assustada com o seu candidato, em 1960, Jânio da Silva Quadros, não era de confiar muito no estilo populista do homem a vestir uniforme da CMTC, Companhia Municipal de Transportes Coletivos ou comer sanduba em meio-fio de calçada. Mas todos tinham uma explicação para a adesão: "ele é a UDN de porre".

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