Levantamento mostra mudanças rápidas de posição
Levantamento mostra mudanças rápidas de posição
O levantamento de Mercadante também mostrou a mudança de posição vendida para comprada dos seguintes bancos: BBM (de US$ 17,2 milhões vendidos para US$ 26,1 milhões comprados), o Beal (sua posição comprada passou de US$ 4,5 milhões para US$ 27,6 milhões), o Garantia (de US$ 18,3 milhões vendidos para US$ 59 milhões comprados), e o Matrix (de US$ 3 milhões comprados para US$ 35,3 milhões também comprados). O Morgan, que havia comprado US$ 14,1 milhões no dia 11, comprou mais US$ 19 milhões no dia 12, e o Citibank, que havia comprado US$ 14,1 milhões no dia 11, comprou US$ 19 milhões no dia 12.
Outra anomalia no mercado de dólar constatada por Mercadante foi o possível lucro obtido pelos bancos que mais compraram dólares em janeiro, inclusive com a boataria de quebra de bancos no dia 29 de janeiro, quando a taxa de câmbio subiu muito. Não há dúvida que os mais interessados no boato de que haveria confisco da poupança foram os bancos que estavam com elevados volumes de dólares, afirmou o deputado.
Mercadante enfatizou não ser verdadeira a afirmação de que todos ganharam com a desvalorização do real. Ele apurou que 49 instituições financeiras perderam R$ 3,2 bilhões nas operações realizadas no mercado futuro de câmbio na BM&F entre 12 de janeiro e 2 de fevereiro. Desse total, nove bancos com posições acima de US$ 100 milhões somam 84% do prejuízo total. Desses, quatro são bancos públicos, que perderam juntos R$ 13,7 milhões.
A venda de dólares feita pelo Banco do Brasil - R$ 7,3 bilhões - nesse período representou 69,7% da movimentação total da BM&F, enquanto que o teto permitido por lei é de 15% para uma única instituição individual. O BB operou a mando do Banco Central, na tentativa do governo de segurar a cotação do real.
O deputado também levantou que o Banespa, sob intervenção do BC, fez uma venda de R$ 414 milhões em bradies (títulos da dívida externa brasileira) para o Morgan em várias operações entre outubro do ano passado e o início deste ano. É no mínimo estranho que enquanto os Bradies se valorizavam o Banespa se desfazia de seus títulos e ainda por cima com um deságio razoável, pois o valor de face desses papéis era de R$ 747 milhões, acrescentou.
Mercadante levantou dados também que mostram a transferência de lucros dos bancos para seus fundos de investimentos no exterior como forma de driblar o recolhimento do Imposto de Renda. Como as remessas de recursos ao exterior são isentas do IR, o deputado acredita que essa é uma forma das instituições financeiras praticarem evasão fiscal.
Além de terem lucrado muito, vários bancos ainda conseguiram recolhemos menos impostos enviando seus ganhos aos fundos no exterior, afirmou. São essas brechas que precisam ser fechadas, juntamente com a regulamentação do artigo 192 da Constituição Federal, que trata do sistema financeiro, defendeu o parlamentar.
AbafaLíderes governistas deflagraram ontem uma articulação para abafar o depoimento do deputado Aloízio Mercadante à CPI. A operação abafa foi desencadeada pela manhã com o pretexto de impedir que o deputado petista usasse a CPI como palanque político para atacar o governo. A tentativa de fechar a reunião em que Mercadante iria apresentar a denúncia sobre bancos não deu certo. A operação foi deflagrada por causa da cobrança de FHC na reunião com o PSDB, realizada na terça-feira, pelo fato de o partido não ter impedido que a CPI convocasse Mercadante.
O comando político da CPI decidiu ontem encerrar na próxima semana a investigação sobre o caso da venda de dólares a valores abaixo do mercado para os bancos Marka e FonteCindam e partir para o próximo item da pauta, a apuração de responsabilidades pelo vazamento de informações que teriam propiciado lucros exorbitantes a vários bancos. A apuração do vazamento do BC é considerada difícil. (A.E.)





