Levantamento aponta 48% de indecisos em Curitiba
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terça-feira, 28 de setembro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A quatro dias das eleições, quase a metade dos curitibanos ainda não decidiu em quem votar. Os dados são de uma pesquisa realizada na segunda-feira pelo instituto Datacenso em parceria com a Federação dos Bancários da Central Única dos Trabalhadores (Fetec). De acordo com o levantamento, 48% dos eleitores curitibanos ainda não haviam decidido em quem votar para prefeito a menos de uma semana das eleições.
Os dados da pesquisa diferem muito do último levantamento realizado pelo Ibope, que aponta para um número de indecisos que gira em torno de 16%. Segundo o diretor do Datacenso, Cláudio Shimoyama, a divergência se dá devido à abordagem feita ao eleitor. ''Nas outras pesquisas, a pergunta é: 'se a eleição fosse hoje, em quem você votaria?' Isso acaba induzindo o eleitor a tomar um posicionamento. A nossa pergunta é outra: 'você já decidiu em quem vai votar para prefeito?' Isso levanta o número de eleitores que até podem ter um candidato na cabeça, mas podem mudar seu voto até o dia da eleição'', analisou Shimoyama.
Para o presidente da Fetec, Adilson Stuzata, os dados confirmam outra tendência levantada em uma pesquisa realizada em maio também pelo Datacenso. ''Naquela ocasião, 66% dos entrevistas afirmaram que decidem seus votos nos últimos dias antes da eleição, e 68% dizem ser pouco influenciados por programas eleitorais. Isso indica que na reta final, o que vai contar mesmo é o poder econômico, seja através dos cabos eleitorais nas ruas até a propaganda boca-de-urna, que apesar de proibida ainda é realizada'', comentou Stuzata. ''Tem muita gente que só vai decidir mesmo em quem votar no caminho para a zona eleitoral'', acredita Stuzata.
O poder econômico pode influenciar até mesmo em outra prática considerada ilegal: a compra de votos. A pesquisa, que foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral, apontou que 12% dos entrevistados disseram conhecer alguém que trocaria seu voto por algum tipo de benefício financeiro ou material. Os entrevistados apontaram o dinheiro e a cesta básica como as formas mais comuns de suborno, embora a promessa de cargos e até mesmo refeições também fizessem parte do pacote. Outro dado que chama a atenção é a quantidade de gente que admite que poderia vender seu voto de acordo com a proposta: 10% dos eleitores afirmaram que poderiam vender seu voto por vantagens econômicas.
A pesquisa da Datacenso tem uma margem de erro de 6,6%, e ouviu 220 eleitores distribuídos em 21 bairros da Capital. O intervalo de confiança da pesquisa é de 95%, o que quer dizer que de cada 100 pesquisas realizadas, 95 apresentariam resultados semelhantes dentro da margem de erro.


