Leva Jato
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sexta-feira, 15 de março de 2019
Leva Jato
Com a decisão que transfere crimes de Caixa 2 para a justiça eleitoral a Lava Jato, se não reagir como fez nas situações anteriores, mantendo o cerco à corrupção (aqui enquadraram o primo agora sim distante de Beto Richa, Luis Abi Antoun, no Líbano, como guardião fiel da propina) pode mudar de nome para Leva Jato com a perspectiva de derrotas em série. Ocorre que o entendimento da maioria dos ministros na votação acirrada pode implicar em revisão de penas já aplicadas, o que explica o desânimo e aturdimento dos mais empenhados procuradores da força-tarefa como Deltan Dallagnol.
O conciliador
Há a carência nesse momento de um conciliador no choque entre STF e PGR com vistas à normalidade institucional. O enrijecimento das posições, mais uma vez ressaltado numa decisão por um voto, a terceira sequencial, mostra que o colegiado está engajadíssimo nas causas que o dividem. O presidente, Dias Toffoli, tenta assumir tal posição, e se vale da mais recente agressão das redes sociais contra o Judiciário, ao pleitear providências contra supostos autores das "fake news" ao mesmo tempo em que reage à ideia da CPI no Senado sob o título de "Lava Toga" e continua esgrimindo com o Ministério Público. Talvez o decano, Celso de Mello, detenha as melhores condições para essa busca de consenso. Ocorre que ele é a figura mais referencial e reverencial, em termos doutrinários, e seu alinhamento normalmente é decisivo nas controvérsias .
Zero
Hoje é dia de muitos zeros. Primeiro a eleição para a Academia Brasileira de Letras de Ignácio de Loyola Brandão, autor de "Zero", obra sobre o regime militar que saiu primeiro na Itália em 1974 e posteriormente no Brasil e logo censurado. No livro compila matérias censuradas então do jornal "Última Hora" em que trabalhava.
E por causa de zeros em excesso (escrevi nesta sexta, 15, que havia 50 milhões de assassinatos no País quando se trata da escala de 50 mil ou algo pouco maior) façamos a correção. Por sinal que há uma cantiga de Carnaval a tratar de zeros: "Trabalho como um louco,/ mas ganho muito pouco,/ por isso vivo sempre atrapalhado,/ fazendo faxina, comendo no China,/ está faltando um zero no meu ordenado"
Redes na cobrança
O poder público é ligado mesmo às novas tecnologias que o catapultaram na eleição e pretende enviar ao Congresso Nacional mensagem pleiteando autorização para usar os meios digitais - WhatsApp e Facebook - na cobrança de devedores. Já não bastam meios de pressão como os utilizados contra inadimplentes.
Grana da União
Para evitar constrangimentos como os gerados pela tal Fundação em favor da força tarefa da Lava Jato (em acerto com Petrobras e EEUU), o deputado federal Rubens Bueno (PPS) vai apresentar projeto segundo o qual todos os recursos recuperados em ações contra a corrupção e lavagem de dinheiro sejam encaminhados para conta única do Tesouro Nacional.
Agora vai
Com a instalação das comissões, a partir da de Constituição e Justiça, abre-se caminho para a tramitação da reforma previdenciária. Para evitar desalinhamento na base, a proposta anunciada da desvinculação de verbas orçamentárias é adiada. Há expectativa de que o temor da elevação das alíquotas, que é fundamento-base do programa, provoque a busca pelos servidores federais pela troca de regime ao sistema de capitalização já existente, a Funpresp, Fundação de Previdência Complementar do Serviço Público. A complementariedade, já existente ou por fazer, operará nos estados e municípios ou em fundos de pensão.
Quem assina
Na hora do vamos ver nem tudo se dá como no instante das ameaças. Há dificuldade, apesar do alarido constante, para convocar a Comissão Parlamentar de Inquérito da chamada "Lava Toga" no Senado em função do baixo número de assinaturas. Para manter o clima pretende-se ao menos 30 assinaturas e gordura suficiente para enfrentar possíveis evasões.
Racha
Aprofunda-se o racha no Ministério Público Federal com a nota emitida pela Associação Nacional dos Procuradores contra a ação que Raquel Dodge entrou no STF sobre a força tarefa de Curitiba no caso da Fundação junto ao STF num momento que os procuradores já tinham desistido daquele intento. Alguns ministros elogiaram a procuradora, o que foi levado em conta no divisor de águas. Já se fala de efeitos negativos na eleição por sua recondução.
Folclore
Para condicionar seus alunos contra a cacofonia na junção das sílabas, o professor Luis Cesar, mestre de português, fazia a leitura de textos para criar esse tipo de cuidado alertando que o "som desagradável" (caco fonos) não precisava formar uma palavra como no clássico "la tinha". Ou ainda na correção daquele outro professor que diante de um caso de som e ao mesmo tempo de palavra alertou que se tratava de uma cacofonia, um macaco mais do que desagradável no meio da fala a deliciar-se com bananas em meio à flora verbal.



