Arquivo FolhaEmília Belinati: interinidade tumultuada e recado aos secretáriosO governador Jaime Lerner chega amanhã de Nova York (EUA), com a tarefa de apaziguar os ânimos e contornar uma pequena crise ‘silenciosa’ vivida no Palácio Iguaçu durante a sua ausência. As relações da vice-governadora Emília Belinati com alguns secretários e assessores da confiança do governador azedaram na curta interinidade.
A vice não nomina ninguém, mas resolveu avisar que quando está no poder, pretende exercer a autoridade por inteiro. Diz ter detectado nos últimos dias uma ‘rede de intrigas’ no Palácio, que tenta indispô-la politicamente com o governador Jaime Lerner.
A repercussão negativa da reunião feita sem seu conhecimento prévio na última terça-feira no Chapéu Pensador - o gabinete ecológico do governador -, pelos secretários da Indústria e do Comércio, Nelson Justus, e da Fazenda, Giovani Gionédis, - contribuiu para a vice deixar de lado o estilo discreto que por 20 vezes já assumiu o governo. Os secretários trataram da vinda de uma empresa para Londrina - a base eleitoral da família Belinati.
Tanto Giovani Gionédis como Nelson Justus disseram ontem que o recado dado por Emília Belinati, via assessoria, não é para eles. ‘‘Isso tudo, na verdade, não passou de uma grande babozeira. Houve muito exagero’’, classifica o secretário da Fazenda. ‘‘E se quiserem me demitir por acharem que cometi alguma impropriedade, que o façam’’, reagiu Gionédis, em tom de brincadeira.
‘‘Esta conta eu não devo. Tenho muita coisa para me incomodar (leia-se PTB) e não vou levar isso adiante’’, reagiu o secretário Nelson Justus, que diz não saber ‘‘que tipo de mal fizeram à vice’’, durante a ausência do governador. ‘‘Nesta história, o meu saldo é credor’’, emenda Justus.
A Folha não obteve retorno aos contato para o chefe da Casa Civil, Rafael Greca, comentar as declarações e ameaças feitas pela vice-governadora. No seu desabafo, Emília Belinati deixou transparecer que está irritada com os que têm interesse ‘‘apenas com as eleições de 98’’. Greca - que é cotado por um grupo como pré-candidato ao Senado na chapa de Lerner, vaga também almejada pela vice - não atendeu jornalistas.

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