Passado o impacto da notícia, a análise de que a morte inesperada do líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL), volta a abrir espaço na política nacional para o projeto presidencial do governador Jaime Lerner, dentro do PFL, em 2002, ganhou força entre políticos do Paraná desde ontem. Quando Lerner se filiou ao PFL em setembro de 97, o partido ainda não contava com uma liderança que sustentasse uma candidatura, o que aconteceu poucos dias depois da filiação de Lerner, quando a cúpula do partido deu os primeiros sinais de que o filho do presidente do Congresso, o senador Antonio Carlos Magalhães, seria preparado para o processo sucessório de Fernando Henrique Cardoso.
O governador embarcou ontem para o sepultamento de Luís Eduardo, em Salvador, tratando de não incentivar esse tipo de especulação, que considerou inoportuna. ‘‘Não temos nem que fazer esse tipo de avaliação como sinal de respeito e consternação’’, disse pouco antes de embarcar no avião que o levaria a Salvador, junto com o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi. ‘‘O Luís Eduardo era um homem com um futuro imenso e seria um grande candidato’’, justificou.
A análise da política brasileira depois da virada do século não é tratada abertamente. O entendimento dos aliados de Lerner é que o momento é de esperar o desenrolar dos fatos para ver se o projeto vinga. ‘‘Acredito que o PFL tem várias lideranças com perfil capaz de assumir qualquer espaço’’, declarou o prefeito Cassio Taniguchi, citando Lerner na relação dos nomes viáveis dentro do partido.
‘‘Mas o momento agora é de refletir e repensar’’, emendou Taniguchi. ‘‘Não seria nem elegante ficarmos tratando desse assunto num momento como esse’’, afirmou.
O chefe da Casa Civil de Lerner, Cândido Martins de Oliveira, tem a mesma opinião que o prefeito de Curitiba. Segundo ele, a morte do filho de ACM cria um ‘‘vácuo’’, que provoca ‘‘uma nova rearticulação nacional’’. ‘‘Passando a dor, tudo vai se reorganizar’’, acredita.
Para Cândido Oliveira, é uma imprudência tratar da sucessão de 2002 agora. ‘‘A própria fatalidade da morte de Luís Eduardo é uma prova de que, em política, o planejamento a longo prazo nem sempre é o melhor caminho’’, justificou. Segundo ele, antes do eventual projeto presidencial, Lerner tem o desafio da reeleição a enfrentar. ‘‘O destino (presidencial) será traçado pela competência administrativa e pela visão política dos partidos mais para frente’’, avaliou.
O chefe da Casa Civil de Lerner também tratou de evitar uma análise sobre os reflexos da morte do ministro Sérgio Motta (PSDB) sobre a sucessão no Paraná, como um possível enfraquecimento da pré-candidatura de Alvaro Dias e o fortalecimento indireto da reeleição de Lerner. ‘‘O ministro era uma personalidade forte, com forte ligação com o ex-governador Alvaro Dias, até sobre o aspecto partidário. Motta pensava na posição do PSDB em 2002, mas ainda é muito prematuro dizer quem saiu ganhando ou perdendo’’, considerou Cândido Oliveira.
O chefe da Casa Civil não admitiu, mas a grande indagação hoje no Palácio Iguaçu é saber quem será o novo interlocutor de Alvaro junto ao governo federal. Até para definir quais estratégias políticas deverão ser adotadas para engrossar o projeto da recondução ao governo. Os tucanos defendem a tese de que a morte do ministro Serjão não atinge a sucessão estadual.

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