Lerner vai ter dificuldade para governar
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de outubro de 2000
Maigue Gueths e Leandro Donatti De Curitiba 
Logo depois de votar ontem em Curitiba, o governador Jaime Lerner (PFL) dirigiu-se para uma sinagoga. Não era apenas mais um ritual do Rosh Hashaná, o ano novo judeu, comemorado em sua religião, mas um momento de reflexão. Lerner sabe que, se depender do apoio dos prefeitos que assumirão os principais colégios eleitorais do Estado, terá dificuldades para encerrar o seu segundo mandato. À exceção de Curitiba, onde o grupo político do governador ainda possui um residual eleitoral respeitável, no restante do Estado o poder de fogo do governador se revelou inexpressivo nestas eleições.
As pesquisas do final de semana sinalizando para o segundo turno em Curitiba deixaram Lerner em pânico. Em Londrina, o segundo maior colégio eleitoral do Estado, o sufoco vem de longa data. Desde que o escândalo AMA-Comurb tomou conta da cidade, no ano passado, até a cassação e afastamento de Antonio Belinati (PFL), marido da vice-governadora Emília Belinati. O pefelista era, até então, um fiel aliado do Palácio Iguaçu. Em Maringá, o incômodo foi criado pelo próprio governador. Lerner não quis aderir à candidatura de Cida Borghetti Barros (PPB), mulher do deputado federal Ricardo Barros (PPB). Razão pela qual se viu forçado a emprestar apoio a Jairo Gianotto, mesmo sabendo que o prefeito é do PSDB e ligado ao senador Alvaro Dias.
Antes mesmo da apuração dos votos, à noite, o governador já sabia que não poderia contar com nenhum apoio em Ponta Grossa e em Cascavel. Em Ponta Grossa, a campanha eleitoral se polarizou entre dois inimigos declarados do governo: Jocelito Canto (PSDB) e Péricles Holleben de Mello (PT). Os dois já trombaram com o Palácio Iguaçu. Jocelito acusa o governo de fazer vistas grossas aos problemas da cidade. Péricles faz oposição sistemática ao governo na Assembléia Legislativa. Um dos filões explorados pelo petista tem sido a cobrança de pedágio nas rodovias do Paraná.
Lerner afirmou, minutos antes de votar na seção 289 da 2ª zona eleitoral, na Faculdade de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que não se sente derrotado com o pálido desempenho dos candidatos apoiados por ele nos grandes colégios eleitorais do Estado. Vamos ter entre 75 a 85% das prefeituras, o que mostra mais uma vez um voto muito forte de apoio ao governo, declarou o governador, apostando na sorte dos seus candidatos em pequenos municípios. Na eleição de 1996, o governador fez 58% das prefeituras. Sobre os reflexos desses resultados nas sucessões estadual e presidencial Lerner tenta viabilizar-se como candidato do PFL à presidência da República , o governador afirmou que devem sinalizar pontos importantes, mas ainda é cedo para dizer o que acontecerá até lá.
Como tem feito nas eleições anteriores, Lerner foi até o local de votação a pé. Dessa vez, entretanto, chegou acompanhado apenas da mulher, a secretaria da Criança e Assuntos da Família, Fani Lerner, que vota no mesmo local.


