O governador Jaime Lerner depõe na próxima terça-feira na comissão especial do Congresso Nacional que analisa a emenda da reeleição. Lerner é uma das lideranças políticas nacionais convidadas pelos parlamentares para opinar sobre a tese da reeleição. O governador do Paraná vai defender a proposta.
Segundo Lerner, a reeleição é um mecanismo democrático de avaliação do administrador público. Seu argumento é de que o mau governante não consegue se reeleger e que o bom administrador precisa mais do que quatro anos de mandato para conseguir executar todos os projetos.
Favorável à reeleição, Lerner defende a realização de um plebiscito para que a população brasileira possa se manifestar sobre o assunto. O governador tem afirmado que essa matéria é muito importante para ficar restrita às decisões do Congresso. O governador paranaense foi uma das primeiras lideranças políticas a defender a realização de um plebiscito sobre a reeleição.
Além que perguntar ao eleitor sua opinião sobre a reeleição, o plebiscito defendido por Lerner deve incluir uma segunda pergunta: reeleição-já ou só a partir de 2002? Lerner tem a tendência de apoiar a tese de reeleição-já, mas acha melhor deixar essa decisão para os eleitores.
Outra dúvida de Lerner é quanto a possibilidade ou não de o governante disputar a reeleição no cargo. Pessoalmente, o governador é partidário das mesmas regras norte-americanas. Nos Estados Unidos, o presidente da República e os governadores de Estados podem disputar a reeleição em seus cargos. Entretanto, Lerner reavalia sua posição em função da cultura política brasileira. O licenciamento do cargo pode ser garantia de maior lisura no processo eleitoral.
Com ou sem reeleição, o governador Jaime Lerner já tem planos para as eleições de 1998. Se a reeleição for aprovada já para as próximas eleições, Lerner concorre novamente ao governo do Paraná, com chances de ficar mais quatro anos no comando do Palácio Iguaçu. Sem reeleição, Lerner pode aventurar-se na sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Várias outras lideranças políticas nacionais já passaram pela comissão especial do Congresso que analisa a emenda da reeleição. O prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PPB), foi um dos primeiros e criticou a proposta de reeleição-já. O mesmo discurso de oposição foi repetido pelo ex-ministro Ciro Gomes.
O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), foi convidado a comparecer ao Congresso, mas recusou o convite. Covas é contra a reeleição defendida pelo presidente Fernando Henrique e preferiu manter-se calado para não polemizar. O governador Jaime Lerner será um dos primeiros convidados pela comissão especial da reeleição a defender a proposta.

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