O governador Jaime Lerner (PFL) viaja hoje para o Rio de Janeiro, para mais uma rodada de negociações com a direção do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O governador tenta há cerca de um mês a liberação de um empréstimo-ponte de R$ 1,2 bilhão, que terá como garantia as ações que o Paraná detém na Copel. O dinheiro garante liquidez inicial ao Fundo de Previdência, que aguarda análise da Assembléia para ser criado, e ajuda o governo a ter fôlego em caixa para pagar até 21 de dezembro o 13º salário dos servidores públicos estaduais.
Lerner não vai para a audiência do BNDES sozinho. Ele anunciou ontem, logo após uma cerimônia no Palácio Iguaçu, que os secretários da Fazenda, Giovani Gionédis; e do Planejamento, Miguel Salomão, o acompanham na conversa. ‘‘Temos várias alternativas. A questão Banestado e Copel caminharam muito bem no Senado e na Assembléia Legislativa. Vamos equacionar esse problema’’, afirmou, sem dizer como pretende solucionar a dificuldade de caixa. ‘‘Estamos fazendo o possível e o impossível. Posso garantir que os funcionários não serão penalizados’’, prometeu.
Lerner e a equipe econômica já encaminharam ao BNDES cópia da lei que autoriza o Estado a se desfazer de suas ações na Copel, inserindo a Companhia no processo nacional de desestatização. Os deputados aprovaram a medida ontem à tarde, em terceira discussão. Hoje, eles se dedicam à redação final. O presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), pretende devolver a mensagem até às 15 horas, para a sanção automática do governador. O líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), distribuiu ofício aos gabinetes convocando os deputados aliados para a sessão de logo mais.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, disse que também é do interesse do governo federal autorizar a liberação do empréstimo via BNDES. ‘‘Temos um ajuste fiscal para cumprir. Precisamos nos adequar e para isso temos de tirar do papel a proposta do Fundo’’, considerou. Gionédis não sabe se a direção do BNDES fará novas exigências para liberar o dinheiro. ‘‘Todo banco é burocrático. A lei da Copel eles já têm em mãos. Não vou me suicidar na maionese de esse dinheiro não sair. Podemos buscar outras alternativas’’, sinalizou o secretário. (L.D)

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