Lerner tenta segurar Alborghetti
ESVAZIAMENTO
Lerner tenta segurar Alborghetti
Arquivo FolhaAlborghetti: desconfortávelO governador Jaime Lerner vai tentar pessoalmente conter o processo de esvaziamento da bancada do PFL na Assembléia Legislativa. Na próxima terça-feira, em Curitiba, o governador conversa com o deputado estadual Luiz Carlos Alborghetti, de malas prontas de volta ao PTB. Alborghetti já teve uma conversa preliminar, na quinta-feira à tarde, com o secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas. A tendência ontem era de que Alborghetti mantenha a decisão de transferir-se para o PTB.
Não me sinto confortável no PFL. As minhas reivindicações tinham mais apoio quando eu estava no PTB, avaliou. Alborghetti admitiu que sua filiação no PFL, em meados de 97, foi influenciada pelo então presidente da Assembléia Aníbal Khury. Depois da morte de Aníbal, em 30 de agosto, o deputado iniciou uma reflexão. O Aníbal foi embora. Acho que o meu lugar agora é no PTB. As coisas para mim no PTB eram bem mais fáceis, considerou o deputado Cadeia, que mantém programa policial na TV.
Alborghetti adiantou ainda que a sua decisão de deixar o PFL para se transferir para outra sigla não significa um rompimento político com o grupo do governador. Vou dizer isso para ele, afirmou. O deputado disse que na conversa de terça-feira pretende fazer algumas colocações a Lerner. Uma delas, de que o Palácio Iguaçu precisa dispor de mais atenção com os seus aliados. O Tato (Taborda) me disse que o Lerner não quer que eu saia. Aceitou conversar com ele (o governador) e ouvir os seus argumentos, assinalou ele.
A Folha apurou que a saída Alborghetti não está relacionada apenas à questão de trato político. O deputado estaria descontente com a atuação do diretório estadual do PFL e com o possível engessamento de algumas mudanças apoiadas por ele em diretórios municipais da Região Norte, sua principal base eleitoral. Os aliados de Alborghetti, no PFL, estariam perdendo espaço para lideranças políticas tradicionalmente ligadas ao senador Roberto Requião (PMDB), nos mandos locais do partido.
Se a estratégia do governo falhar e Alborghetti formalizar sua saída, o PFL ficará na Assembléia com seis deputados, sete a menos dos 13 eleitos em outubro do ano passado e empossados em fevereiro desse ano. O partido passa por um processo profundo de desmonte. Para estancar o prejuízo, o Palácio busca ainda novas filiações. Uma delas, a do líder do governo Valdir Rossoni, hoje no PTB. (L.D.)





