Curitiba - O governador Jaime Lerner (PFL) acredita que a reforma administrativa anunciada por ele na sexta-feira passada pode ajudar a reverter a queda no seu índice de popularidade. Pesquisa divulgada na segunda-feira pelo jornal ''Folha de S.Paulo'' coloca Lerner em último lugar entre os 10 governadores que tiveram sua popularidade avaliada.
Lerner disse que não acompanhou a pesquisa, mas que o levantamento reflete apenas um momento. ''Já estive em primeiro e segundo lugar. Os governos têm momentos difíceis, e nós passamos por eles'', afirmou. O governador admitiu que as duas tentativas fracassadas de vender a Copel pesaram no resultado da pesquisa.
A primeira posição do ranking de popularidade ficou com a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, também do PFL, que desponta como pré-candidata à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O chefe da Casa Civil de Lerner, Alceni Guerra, defendia o nome do governador paranaense como o pré-candidato do partido.
Lerner comentou que o Paraná está passando por um processo de ajuste fiscal e que isso, aliado às mudanças administrativas, deve se refletir em pesquisas futuras. No entanto, até mesmo aliados do governo dizem que a reforma foi superficial. O bloco de oposição sustenta que cortar sete das 27 secretarias e fundir atribuições de algumas pastas não podem ser considerados reforma, e que as mudanças terão mais impacto político e eleitoral do que administrativo.
Para o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão (PSDB), os cortes na estrutura administrativa poderiam ter sido mais profundos.
O deputado Orlando Pessuti (PMDB), disse que o governador não fez reforma alguma. ''Ele apenas mudou o nome de algumas secretarias e deu prazo para os integrantes do primeiro escalão que são candidatos deixarem o governo. Isso a própria base dele pedia há muito tempo'', criticou Pessuti.
Para o peemedebista, Jaime Lerner quer tirar proveito da saída dos secretários, colhendo dividendos políticos ao anunciar uma reforma administrativa. ''Mas o povo não vai engolir isso'', completou. Pessuti defende que o governador deveria cortar cargos em comissão como medida de contenção de despesas. O governo não divulga quanto pretende economizar com a reforma.

mockup