Leandro Donatti
O governador Jaime Lerner disse ontem à tarde em Curitiba que o ‘‘Projeto Paraná 2000’’, iniciativa do PFL que visa o lançamento de candidaturas próprias nos 399 municípios do Paraná e a vitória em pelo menos 180 deles nas eleições do ano que vem, não representa a exclusão dos aliados que o apoiaram na reeleição do ano passado. ‘‘Está havendo muita exploração sobre esse assunto. Em nenhum momento o PFL pensou em deixar de fora os aliados’’, declarou.
Lerner disse que isso nem poderia ocorrer, porque são os partidos aliados (PTB-PPS-PSB-PPB e outros) que dão sustentação ao seu governo. O PFL é o principal. ‘‘Enquanto o PFL busca novas filiações, o governo fortifica a aliança’’, assegurou. As declarações do governador sobre a polêmica que se transformou junto aos aliados o projeto lançado pelo comando estadual do PFL, foram dadas ontem à tarde, antes da cerimônia do PFL que filiou nove dos 10 prefeitos anunciados como certos na semana passada, durante a visita do presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen.
O governador do Paraná classificou como ‘‘uma questão de princípio, um sentido de afirmação’’ a defesa feita pelo presidente estadual João Elísio Ferraz de Campos em nome do lançamento de candidaturas próprias, o pivô do mal-estar com partidos aliados como o PSB e PPB, que bombardearam a ofensiva pefelista. ‘‘Isso não pode ser considerado como uma visão de que se pretende deixar de fora’’, minimizou o governador, na tentativa de dissipar a crise doméstica com os aliados.
Lerner acha que as eleições municipais do ano 2000 exigirão uma análise dos partidos por região. ‘‘Em cada município há uma prioridade a ser observada’’, analisou. O governador deu a entender ontem que pretende agir como um ‘mediador’ entre PFL e as siglas que lhe dão sustentação política. Lerner sabe que se sua posição em favor do ‘‘Projeto Paraná 2000’’ for feita sem ressalvas aos aliados, estará instalada uma guerra interna entre os partidos que lhe dão sustentação. E isso pode lhe trazer instabilidade para cumprir seu segundo mandato.
O governador acompanhou de perto ontem a filiação dos novos prefeitos pefelistas: Elza Marques Gonçalves (Barbosa Ferraz); Claudio Gotardo (Boa Esperança); Luiz Bueno de Oliveira (Califórnia); João Batista da Silva (Lidianópolis); Mário Moribe (Lunardelli); Antônio Camilo (Manoel Ribas); Edgard Lemos Gonçalves (Rio Branco do Ivaí); Ivens Simão (São João do Ivaí); e José Lourenço Figueiredo (São Pedro do Ivaí). O governador fez um discurso rápido e informal. No sábado, no entanto, Lerner não compareceu no encontro regional do PFL, quando assinou ficha de filiação o vereador Sérgio Beltrame, apontado como o pré-candidato do partido à sucessão de Harry Daijó (PPB).
Ontem à tarde depois da filiação dos prefeitos, ele embarcou para Foz do Iguaçu. À noite, pretendia apresentar para um grupo de cerca de 300 jornalistas estrangeiros que acompanham a Copa América dois projetos de sua administração: o ‘‘Piá bom de bola’’ e o ‘‘Guia do Consumidor Estrangeiro’’.
Hoje, o governador Jaime Lerner cumpre um roteiro ‘‘esportivo’’ em Foz. O governador visita as delegações do México e do Chile pela manhã para, ao meio-dia, almoçar com os jogadores da seleção brasileira.Governador minimiza impacto da meta pefelista de eleger 180 prefeitos em 2000, principal motivo de crítica do PPB e PSB
Arquivo FolhaAliança mantidaLerner: ‘‘Está havendo muita exploração sobre esse assunto. Em nenhum momento o PFL pensou em deixar de fora os aliados’’

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