O governador Jaime Lerner afirmou ontem que tentará convencer o Banco Central a mudar o parecer sobre a situação financeira do Paraná. O banco encaminhou uma carta ao Senado, na quarta-feira, desaconselhando os senadores a aprovarem a liberação de empréstimos internacionais ao Estado. A intenção do governo é emprestar R$ 496 milhões de bancos estrangeiros para programas de educação, saneamento e agricultura.
Segundo o governador, a argumentação do Banco Central pode ser reconsiderada, pois o Paraná tem situação financeira ‘‘mais favorável’’ em relação a outros Estados. A alegação do Banco Central ao não recomendar os financiamentos é de que o Paraná gasta mais com o funcionalismo público do que permite a lei Rita Camata. A lei autoriza os Estados a comprometerem no máximo 60% das receitas com a folha de pagamento. O Paraná destina 72,9% para o salários dos servidores, segundo balanço do secretário de Planejamento, Miguel Salomão.
Mesmo com o parecer contrário, Lerner está otimista e acredita que o Senado autorizará o empréstimo. Ele disse que Estados em situação pior que a do Paraná receberam parecer contrário do Banco Central, mas mesmo assim os senadores aprovaram os pedidos de financiamento.
O chefe da Casa Civil, Rafael Greca, também usa o exemplo dos outros Estados. ‘‘Se os Estados em pior situação conseguiram, por que o Paraná será discriminado?’, questionou Greca, sem se referir à presença dos dois senadores oposicionistas Roberto Requião e Osmar Dias, que vêm dificultando a liberação dos recursos.

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