Leandro Donatti
De Curitiba
O governador Jaime Lerner (PFL) colocou em operação uma estratégia para estancar os reflexos políticos do rombo de caixa que assolou as finanças de seu governo no Paraná. Paralelamente ao lobby que ele e os secretários Giovani Gionédis (Fazenda) e José Cid Campêlo Filho (Governo) vêm mantendo junto ao governo Fernando Henrique, para conseguir dinheiro e tirar o Estado do vermelho, Lerner quer se livrar de ‘‘abacaxis’’ que podem lhe desestabilizar ainda mais na volta do recesso da Assembléia Legislativa. O governador tem ainda cobrado duro de seu secretariado um governo mais ‘‘alto-astral’’.
A estratégia começou a deslanchar anteontem. Lerner determinou a retirada da mensagem que institui a cobrança de taxas sobre o uso da água no Estado. O projeto, de autoria do governo federal, pegou mal no interior e vinha sendo confundido como proposta do governo estadual. Lerner soube ainda de uma articulação da oposição que pretendia detonar o governo na volta do recesso. E preferiu eliminar de uma vez a possibilidade de ficar com pecha de que vai pedagiar também os rios e córregos.
O próximo projeto a ser engavetado por ordem de Lerner na Assembléia é o de Durval Amaral (PFL), que acaba com a terceirização na cobrança de multas nas rodovias do Paraná. Orientado por aliados de sua base, Lerner busca acordo com o autor do projeto e com o presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL), o padrinho da proposta. Para aplainar as diferenças que criou e pôr fim à polêmica, o governador sinalizou disposição em suspender a terceirização (defendida por ele) e devolver as autuações das multas à Polícia Rodoviária. Antes de fechar o acordo, o governo estuda a legalidade da suspensão.
Dos deputados aliados o governador quer sossego. Do secretariado, um discurso mais afinado. Pelo menos foi o que Lerner manifestou aos secretários presentes numa churrascada promovida anteontem para, entre outras coisas, mobilizar o governo em torno da reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). Lerner pediu ânimo para enfrentar a apatia gerada pela falta de recursos e insistente cobrança de credores. ‘‘Se algum de vocês estiver mal, não falem comigo. Atravessem a rua’’, avisou Lerner.
O governador pediu ainda a ‘‘indignação’’ de sua equipe. ‘‘Vão para Brasília de cabeça erguida e cobrem aquilo que é direito’’, aconselhou. Lerner disse que assim como o Rio de Janeiro, Santa Catarina e outros Estados, o Paraná terá sim um socorro financeiro do governo federal. ‘‘Vou bater na mesa’’, prometeu durante fala. Para obter a confiança dos secretários, muitos deles desestimulados pela falta de dinheiro, Lerner prometeu frear os poderes do Crafe - o conselho de ajuste fiscal - avocando para si o poder de decidir os investimentos e as áreas prioritárias.
Para Lerner, no segundo mandato, os secretário devem agir como ‘‘casamenteiros’’. ‘‘Temos de buscar parcerias, promover a ligações entre partes interessadas’’, sugeriu. O governador disse estar confiante numa recuperação da capacidade econômica do Paraná num prazo de dois meses. Não disse, na churrascada, entretando, como pretende levantar o dinheiro necessário para saldar as pendências com fornecedores, empreiteiras e prefeitos do interior.

mockup