‘‘São especulações.’’ Esta é mais uma das inúmeras frases lacônicas do governador Jaime Lerner (PFL) para tentar diminuir o impacto da boataria que, novamente, envolve seu nome e as eleições para a presidência da República em 2002. Ontem, a coluna ‘‘Painel’’, do jornal ‘‘Folha de S. Paulo’’, publicou três notas explicando a ‘‘viagem secreta’’ que Lerner fez a Salvador, há 14 dias, para se encontrar com o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL).
Segundo o jornal, Lerner voltou ‘‘revitalizado’’ ao Paraná porque ACM cogitou o nome dele para fazer parte, como candidato a vice-presidente, de uma eventual chapa encabeçada por Tasso Jereissati (PSDB-CE). No dia 23 de agosto, (uma quarta-feira), a Folha tentou confirmar o destino da viagem de Lerner, mas a assessoria dele informou que ele teria ido a Brasília.
Ontem, porém, o governador confirmou a viagem à capital baiana. Porém, ele desconversou quando perguntado a respeito do teor da reunião com o senador. ‘‘Eu não estive discutindo sucessão presidencial. Eu estive tratando de razões do Estado’’, afirmou Lerner, ontem. A entrevista foi dada após a solenidade de inauguração de uma fábrica de rolamentos em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba.
Segundo o governador, o encontro se deu na Bahia ‘‘porque era um período em que o presidente do Senado não estava em Brasília, estava em Salvador.’’ Lerner, como de costume, não disse quais seriam os ‘‘assuntos de importância para o governo do Estado que diziam respeito ao Senado’’, que ele tratou com o Antônio Carlos, um dos principais líderes do PFL. ‘‘Estou trabalhando num assunto do Estado do Paranᒒ, limitou-se a comentar.
O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, no entanto, confirmou à Folha que tanto o PFL estadual como o nacional ‘‘têm uma estratégia montada para alavancar’’ a candidatura de Lerner. ‘‘Não conheço nenhum partido grande no mundo que prepare seus quadros para ser vice’’, alegou. ‘‘O Jaime é um candidato fortíssimo e tem o perfil ideal para ser o candidato do PFL’’, elogiou o ex-ministro, que é presidente da Escola de Gestores do PFL.
Alceni confirmou que a realização do seminário nacional para administradores públicos do PFL, realizado há duas semanas em Curitiba, foi outra demonstração de que o tão ambicioso planejamento para a continuidade da carreira política de Lerner voltou a ser praticado. ‘‘Ele representa um up grade para o partido, principalmente pela sua visão social’’, garantiu o secretário-chefe da Casa Civil.
Alceni afirmou que é uma ‘‘decorrência natural’’ participar da missão de transformar Lerner num nome viável para 2002, depois de assumir – como chefe da Casa Civil – a intermediação das relações governamentais com os senadores e deputados federais e estaduais. ‘‘Vim para o governo para fortalecer seu link na esfera nacional. Mas acredito que o governador tem estofo para fazer sozinho (a campanha para presidente)’’, justificou. (Colaborou Carmem Murara)

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