Lerner tenta decolar nome para 2002
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de setembro de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
São especulações. Esta é mais uma das inúmeras frases lacônicas do governador Jaime Lerner (PFL) para tentar diminuir o impacto da boataria que, novamente, envolve seu nome e as eleições para a presidência da República em 2002. Ontem, a coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, publicou três notas explicando a viagem secreta que Lerner fez a Salvador, há 14 dias, para se encontrar com o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL).
Segundo o jornal, Lerner voltou revitalizado ao Paraná porque ACM cogitou o nome dele para fazer parte, como candidato a vice-presidente, de uma eventual chapa encabeçada por Tasso Jereissati (PSDB-CE). No dia 23 de agosto, (uma quarta-feira), a Folha tentou confirmar o destino da viagem de Lerner, mas a assessoria dele informou que ele teria ido a Brasília.
Ontem, porém, o governador confirmou a viagem à capital baiana. Porém, ele desconversou quando perguntado a respeito do teor da reunião com o senador. Eu não estive discutindo sucessão presidencial. Eu estive tratando de razões do Estado, afirmou Lerner, ontem. A entrevista foi dada após a solenidade de inauguração de uma fábrica de rolamentos em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba.
Segundo o governador, o encontro se deu na Bahia porque era um período em que o presidente do Senado não estava em Brasília, estava em Salvador. Lerner, como de costume, não disse quais seriam os assuntos de importância para o governo do Estado que diziam respeito ao Senado, que ele tratou com o Antônio Carlos, um dos principais líderes do PFL. Estou trabalhando num assunto do Estado do Paraná, limitou-se a comentar.
O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, no entanto, confirmou à Folha que tanto o PFL estadual como o nacional têm uma estratégia montada para alavancar a candidatura de Lerner. Não conheço nenhum partido grande no mundo que prepare seus quadros para ser vice, alegou. O Jaime é um candidato fortíssimo e tem o perfil ideal para ser o candidato do PFL, elogiou o ex-ministro, que é presidente da Escola de Gestores do PFL.
Alceni confirmou que a realização do seminário nacional para administradores públicos do PFL, realizado há duas semanas em Curitiba, foi outra demonstração de que o tão ambicioso planejamento para a continuidade da carreira política de Lerner voltou a ser praticado. Ele representa um up grade para o partido, principalmente pela sua visão social, garantiu o secretário-chefe da Casa Civil.
Alceni afirmou que é uma decorrência natural participar da missão de transformar Lerner num nome viável para 2002, depois de assumir como chefe da Casa Civil a intermediação das relações governamentais com os senadores e deputados federais e estaduais. Vim para o governo para fortalecer seu link na esfera nacional. Mas acredito que o governador tem estofo para fazer sozinho (a campanha para presidente), justificou. (Colaborou Carmem Murara)


