Lerner tenta contornar crise com vice
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quarta-feira, 30 de dezembro de 1998
Leandro Donatti e Patrícia Zanin 
O governador Jaime Lerner (PFL) está tentando contornar mais uma crise política com a vice-governadora Emília Belinati (PTB) na base do elogio. Lerner disse ontem que não acredita que a vice vá ausentar-se da posse de seus secretários de Estado, em cerimônia organizada pelo Palácio Iguaçu para às 12 horas do dia 1º, depois do juramento dele e de Emília na Assembléia Legislativa.
Temos muito apreço pela vice. Não somente nós, mas todo o Paraná. Queremos a sua participação em nosso governo. Não farei mais comentários sobre isso e vocês sabem por quê, declarou o governador aos jornalistas. Lerner não quis dar margem para um novo round com a família Belinati. Disse apenas que a escolha do secretariado - uma das razões da briga - é assunto superado.
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), acha que a indicação de Alcyone Saliba para a Secretaria de Educação (leia mais nessa página) pode agravar a crise política entre o governador e a vice. É mais uma escolha pessoal, resumiu o deputado, que em outras oportunidades já serviu de mediador de brigas domésticas. Eu sou o poder moderador do tempo do Império, brincou.
Os aliados de Lerner acreditam que desta vez a desavença com a vice-governadora tende a se estender. Além de Emília, o prefeito de Londrina, Antonio Belinati (sem partido), também está revoltado com a composição fechada pelo governador no último dia 22. A família Belinati se sentiu desprestigiada e criticou as poucas mudanças promovidas por Lerner no secretariado que vai administrar o Estado no segundo mandato.
O líder do governo na Assembléia, deputado Valdir Rossoni (PTB), disse que o desentendimento entre a vice e o governador não teve repercussão nenhuma na Assembléia. Não houve nenhum ranger de dentes. Até porque a defesa de Emília não é do PTB. Deve ser de Londrina e do grupo dela, afirmou.
Ele disse ainda que o partido foi muito bem atendido no primeiro escalão. Nós nos sentimos contemplados e valorizados, afirmou, referindo-se aos quatro secretários do PTB. Ela (Emília) deve ter suas razões para criticar, mas o problema é deles e eles que se entendam, afirmou.
O deputado Nelson Justus (PTB) lamentou o fato de Emília não comparecer à posse do secretariado. Tenho o maior respeito e admiração pela nossa vice, que desempenhou suas funções de maneira extraordinária e teve um papel importantíssimo para a vitória nas eleições que passaram. Como a posse é sempre um acontecimento de festa, vai faltar alguém nessa festa.
Justus acredita, porém, que a tranquilidade voltará ao Palácio. Tanto a vice como o governador têm muito equilíbrio e o Paraná, que elegeu os dois, espera que prevaleça o bom senso e que a paz volte a reinar no Reino da Dinamarca.
O presidente estadual do PFL, José Carlos Gomes de Carvalho, o Carvalhinho, foi outro que lamentou o não-comparecimento de Emília na posse dos secretários. Ela é extraordinária e o governador também é boa pessoa. A gente que está fora não sabe bem o que está acontecendo, mas, de qualquer forma, lamento por ambos. Sobre as críticas da vice, Carvalhinho disse entender que a prerrogativa de definir secretariado é do governador. Assim como quem trata de ministério é o presidente.


