Lerner tenta acordo de Justus e Rossoni
Leandro Donatti
De Curitiba
O governador Jaime Lerner (PFL) entrou de cabeça na briga pela sucessão do presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), sepultado ontem em Curitiba. Lerner passou horas reunido em seu gabinete, no Palácio Iguaçu, tentando convencer o líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), e o 1º vice-presidente da Assembléia, Nelson Justus (PTB), a chegarem a um acordo político. Rossoni e Justus disputam intransigentemente o legado de Aníbal Khury, que será decidido nesta sexta-feira numa votação secreta pela Assembléia. A morte do deputado abriu uma forte crise política entre o governador e seus aliados políticos.
Não tenho como me afastar da disputa agora, só se o Aníbal me pedir, ironizou Nelson Justus à Folha, às 19h15 quando deixou o Palácio Iguaçu. Justus acha que é o nome mais apropriado para comandar a Assembléia, por ser o vice-presidente. Eu sou o sucessor natural. Mantenho a minha candidatura até como uma homenagem ao Aníbal, completou. O deputado saiu muito apreensivo do Palácio. Justus acreditava que obteria ontem mesmo o apoio político do governador. Na verdade, ele pediu o consenso. O Lerner não acha por bem haver uma disputa entre aliados, avaliou.
Valdir Rossoni pretendia convocar uma reunião ontem à noite mesmo para tomar uma posição. O líder do governo não descartava a possibilidade de antecipar-se ao Palácio Iguaçu e lançar-se candidato independentemente do aval do governador Jaime Lerner. Está tudo indefinido, disse Rossoni em tom bastante irritado. O deputado disse que tem votos suficientes para eleger-se presidente. Não posso abrir mão desse apoio que obtive. Eu fui sempre uma pessoa que tentou ajudar o governo. Não sou problema, sou solução, deu o recado. Tanto Rossoni quanto Justus garantem que Lerner não esboçou preferência ontem por nenhuma dos nomes.
A aparente indefinição os bastidores dão conta que o governador teria preferência por Justus intensificou a disputa, que vinha se delineando desde domingo, um dia antes da morte de Aníbal Khury. O auge da crise foi atingido na tarde de ontem, cerca de quatro horas depois do sepultamento. Para acabar com as diferenças entre os aliados, Lerner chamou Justus e Rossoni para uma audiência. Os deputados Hermas Brandão (PTB), Algaci Túlio (PTB), e os secretários de Transportes Heinz Herwig e da Casa Civil Tato Taborda foram chamados para intermediar as negociações. O meio de campo, no entanto, não funcionou e o impasse persistia à noite.
Justus e Rossoni conversaram primeiro com Heinz, Brandão, Túlio e Tato Taborda. Depois com Lerner, em conjunto e ainda em audiências em separado. As negociações em torno da presidência da Assembléia consumiram cerca de quatro horas. A conversa começou logo depois das 15 horas e só foi acabar por volta das 19 horas. Hermas Brandão disse que uma disputa entre aliados pegará muito mal para Lerner. O deputado não acha uma boa idéia ainda lançar um terceiro candidato, alternativo.





