Lerner tem um bom humor irritante
Lerner tem um bom humor irritante
Folha - Como é trabalhar com Jaime Lerner?
Guelmann - O Jaime é uma pessoa muito fácil de trabalhar. Quem melhor o definiu foi sua filha, Ilana, que disse que o pai é dono de um bom humor irritante. Eu acho que esta frase define muito bem o Jaime. Nestes dez anos praticamente que estou com ele, raramente eu o vi perder a calma. Ele é uma pessoa acostumada a trabalhar em equipe e que agrega por natureza.
Folha - O senhor era microempresário do ramo de representações. Como foi o seu começo na política e especificamente com Jaime Lerner?
Guelmann - Trabalhar com o Jaime, propriamente dito, só trabalhei na terceira eleição que disputamos. Havia na realidade uma relação de amizade entre nós. Em 82 na campanha do Saul Raiz ao governo do Estado, Lerner era prefeito e o Saul era candidato ao governo do Estado. Esta foi a primeira experiência política que eu tive com o Jaime.
Folha - Como foi esta experiência de estar a primeira vez na política?
Guelmann - Eu trabalhei dando uma mão para nossos candidatos. Nós éramos muito inexperientes e pagamos o preço do noviciado.
Folha - Mas o grupo de Lerner sofreu mais algumas derrotas?
Guelmann - Sim. Veio a campanha de 85, a primeira eleição para as capitais. Uma eleição solteira, em que o Jaime perdeu para o Requião por menos de 2% dos votos válidos. Foi a nossa segunda e desastrada experiência em eleição. Em 86 já participei ativamente na produção de material, mobilização de rua e coordenação do voluntariado.
Folha - Nesta campanha vocês foram derrotados novamente?
Guelmann - Foi uma campanha muito atípica, em que Lerner foi vice de Alencar Furtado contra o Álvaro (Dias). Perdemos, mas foi uma eleição em que o Jaime saiu para o sacrifício. A gente sabia que ninguém tirava do Álvaro aquela eleição.
Folha- Mas se vocês sabiam que iriam perder, qual foi o objetivo ao concorrer?
Guelmann - Nós já estávamos no PDT, o objetivo era fortalecer o partido elegendo deputados estaduais. E graças ao nome do Jaime - e eu reputo isto ao Jaime, pois Alencar não tinha o peso de Lerner - conseguimos eleger seis deputados.
Folha - Alencar Furtado de certa forma foi uma decepção?
Guelmann - Alencar tinha recém saído do PMDB. Nós achávamos que ele teria um poder de fogo enorme e foi um fiasco. Foi a nossa terceira derrota pedagógica.
Folha - Mas em 88, finalmente vocês conseguiram ganhar a Prefeitura de Curitiba em apenas 12 dias de campanha?
Guelmann - Foi aquela loucura que todo mundo conhece. A campanha incendiou a cidade. A procura de material de campanha de Lerner era tamanha que não conseguíamos vencer tantos pedidos. Houve o que eu classifico de comoção da população para eleger o Jaime.
Folha - Antes do registro da candidatura, em 88, faltando 12 dias para as eleições, o senhor não sentiu que poderia ser mais uma derrota?
Guelmann - Não. Porque os ventos mudaram. Como em 82 ninguém tiraria a vitória de Richa contra Saul. Em 88 virou, a cidade tinha passado por dois mandatos do PMDB. Imagino que foi para a população uma experiência ruim, porque houve descontinuidade de trabalho. Todo aquele planejamento, tudo aquilo que havia tido de bom na cidade não estava sendo continuado. Com tudo isto mudou o vento e quando muda o vento não há o que segure.
Folha - Foi nesta eleição que o senhor começou a trabalhar efetivamente com Jaime Lerner?
Guelmann - Fui com o Jaime para a prefeitura. Larguei minha atividade de microempresário. Foi aí que eu me vinculei à política com um projeto de vida junto ao Jaime.





