Mauro Frasson/Folha de LondrinaSem comentáriosJaime Lerner: cercado por jornalistas, governador sai pela tangente e evita comentar sobre PFLO governador Jaime Lerner não quis comentar ontem os motivos que o levaram a se filiar ao PFL. Numa entrevista tumultuada no Palácio Iguaçu, o governador saiu pela tangente, ‘atropelou’ jornalistas para se livrar do assédio, e disse que só vai explicar as razões da assinatura de ficha ao partido, durante o próprio ato, às 11 horas de terça-feira, transferido da sede do PFL para a Sociedade Duque de Caxias, em Curitiba. ‘‘O que eu tenho a dizer é que só vou detalhar isso mais tarde’’, disse o governador, que se mostrava bastante nervoso.
Lerner apenas afirmou que a filiação ao partido do senador Antonio Carlos Magalhães ‘‘é uma decisão amadurecida’’. Ele não quis revelar se o ingresso no PFL lhe dá garantias de que o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) lhe dará apoio exclusivo na campanha para a reeleição em 98. Nem se existe possibilidade de acordo com o presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), que, nessa hipótese, sairia candidato ao Senado ao invés de concorrente ao governo do Estado.
A indisposição do governador em esclarecer sua opção partidária provocou uma ‘leitura’. Políticos ligados a ele afirmam que Lerner ainda não digeriu a opção pefelista, que pode ter sido tomada a contra-gosto, como caminho eleitoral mais viável para reconduzí-lo ao Palácio Iguaçu. Partir em defesa do PFL como sua sigla, agora, gera conflito com a imagem construída há anos, de político ligado à social-democracia.
O chefe da Casa Civil, ex-prefeito Rafael Greca, admite que a escolha pelo PFL não foi ideológica. ‘‘Estamos simplesmente nos reacomodando partidariamente para, adequados à lei eleitoral vigente no País, conseguirmos a reeleição do governador Jaime Lerner’’, declarou Greca.
O ex-prefeito tentou minimizar a ‘crise existencial’ que Lerner estaria vivendo. Disse que não haverá choques ideológicos entre o grupo do governador e o PFL, até ‘‘porque não existem mais fronteiras ideológicas e a direita e a esquerda acabaram há muito tempo’’. ‘‘Somos aliados do PFL no Estado há um bom tempo, e o convívio sempre foi excelente’’, avalia o chefe da Casa Civil.
Segundo Greca, para entrar no PFL, não foi exigida mudança de postura do grupo. ‘‘Continuaremos a defender as nossas idéias. O governo do Paraná continuará na mesma direção. Nenhum de nós precisa se demitir de suas idéias porque escolhe um espaço partidário mais amplo, com maior tempo na tevê e prospecção nacional’’, reforça.
O presidente estadual do PFL, José Carlos Gomes Carvalho, o Carvalhinho, adotou um discurso diferente. E está empenhado a familiarizar Lerner no PFL. Na verdade, ele retorna ao mesmo grupo político depois de anos. ‘‘O governador já era um pefelista do ponto de vista ideológico (referindo-se a idéias liberalizantes e de um Estado mais leve). Os seus companheiros também são nossos e vão reforçar aquilo que é a ideologia do partido’’, disse Carvalhinho.

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