O governador Jaime Lerner (PFL) se prontificou ontem a ser um dos intermediadores da aproximação entre os governadores da oposição e o governo federal. Ele disse que há pontos em comum que podem e devem ser discutidos como, por exemplo, uma alternativa para desonerar a folha de pagamento dos Estados. ‘‘Há um outro caminho além da moratória, que é o Fundo de Pensão, e nisso há consenso de todos os governadores. Quero dizer que há coisas que não concordamos, mas podemos nos reunir para falar de assuntos que concordamos’’, afirmou Lerner, após ter recepcionado o presidente Fernando Henrique, na inauguração VW/Audi.
Lerner disse que está disposto a percorrer os Estados governados pela oposição. ‘‘Eu vou procurar os governadores. A minha idéia é ir a alguns Estados, onde há governador de oposição’’, afirmou. Ele disse que pretende ir ao Rio de Janeiro, onde, disse, tem uma bom relacionamento com o governador Anthony Garotinho (PDT). Ele quer ainda conversar com os governadores Zeca do PT (Mato Grosso do Sul) e Olívio Dutra (PT - Rio Grande do Sul).
No Mato Grosso do Sul, Lerner tem boa afinidade com o secretário da Fazenda, Paulo Bernardo, que assumiu o cargo no dia 1º de janeiro. Bernardo era deputado federal pelo PT paranaense. No Rio, Lerner e Garotinho trabalharam juntos há cerca de 10 anos.
Ex-PDT, Lerner admite que tem bom trânsito tanto entre os governadores aliados do governo quanto com os da oposição. Mas ele não quer ser o único interlocutor. ‘‘Tanto eu quanto qualquer governador que tem trânsito nos dois lados têm interesse em assumir esta função. É um ato de patriotismo’’, declarou.
O governador chegou a ser convidado para integrar a reunião dos governadores de oposição, ontem à tarde, em Belo Horizonte (MG). Ele cogitou da idéia de estar presente, não para se unir aos defensores da moratória para os Estados, mas para propor uma abertura de diálogo com FHC. ‘‘Temos que discutir problemas comuns aos governos, tanto de situação quanto de oposição’’, disse.
Lerner também pretende cobrar do governo federal a dívida que a União tem com os Estados por conta de recursos recolhidos do funcionalismo no INSS. Lerner disse que a cobrança é uma saída para abater a dívida dos Estados. O Paraná tem a receber R$ 1,2 bilhão.
A dívida da União é do período em que o funcionalismo recolhia a Previdência pelo INSS. A Constituição de 1988 permitiu aos Estados a criação de sistemas independentes de Previdência. Como muitos já se aposentaram pelo novo sistema, Lerner entende que o dinheiro recolhido ao INSS pertence ao Estado.Mauro FrassonSoluçãoJaime Lerner: ‘‘Há outro caminho além da moratória, que é o Fundo de Pensão’’Carmem Murara

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