O governador Jaime Lerner evitou ontem aparecer em público para não piorar a crise instalada dentro da Polícia Militar, com a substituição do comandante do Policiamento da Capital, coronel Honório Bortolini, pelo coronel Sérgio Tippa, e com o pedido de demissão do comandante geral da PM, coronel Daniel César Mainguê.
Lerner adotará a estratégia de não se pronunciar até que os ânimos dos oficiais esfriem. Somente após a situação voltar ao normal o governador nomeará o novo comandante geral. Por enquanto, o cargo será acumulado pelo chefe do Estado Maior, Luiz Fernando de Lara.
Secretários diretamente ligados ao governador admitem que a situação precisa ser contornada o mais rápido possível. ‘‘Foi um desgaste, que preferíamos que não tivesse ocorrido’’, afirmou o secretário-chefe de Gabinete, Gerson Guelmann. Ele sugeriu ao governador que o substituto do comandante geral, Daniel César Mainguê, seja anunciado o mais breve possível.
Lerner ainda não tem definido quem será o novo comandante. Quatro nomes são apontados como os mais cotados: os coronéis Valdemar Kretschmer, atual comandante do Policiamento do Interior; Renildo Gonçalves da Silva, Antonio Carlos Abrão e Sérgio Malucelli.
O pedido dos oficiais da ativa e da reserva, que se rebelaram contra o governo, é que Jaime Lerner consulte os comandantes e o secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, antes de indicar o substituto de Mainguê. ‘‘Só não queremos que pessoas ligadas ao Palácio Iguaçu continuem dando ordens e influenciando de maneira errada o governo’’, disse um dos coronéis com chances de ocupar a vaga aberta, ao se referir ao chefe da Casa Militar, coronel Luiz Antonio Vieira.
O ex-comandante geral, que até ontem se mantinha em silêncio, divulgou uma nota explicando sua saída do cargo. ‘‘Minha saída não foi exatamente como eu desejava. Não culpo o governador pelo desfecho pouco elegante, não ético e até desrespeitoso a uma corporação, que tem sido leal em todos os momentos’’, afirmou Mainguê.
Segundo ele, o governador foi ‘‘mal assessorado’’. O ex-comandante afirmou que não teria condições de citar os nomes, mas que Lerner deve saber quem são. Ele disse que não questionou a exoneração do comandante do Policiamento da Capital, Honório Bortolini, mas a forma como o afastamento aconteceu. O coronel foi demitido sem que o comando geral fosse avisado.

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