Lerner revela: convite partiu de FHC
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quinta-feira, 01 de maio de 1997
Leandro Donatti e Patrícia Zanin Sucursal de Curitiba e Redação 
O governador Jaime Lerner (PDT) revelou ao jornal O Globo, do Rio de Janeiro, que foi convidado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso a ingressar no PSDB. Ao contrário do que eles (os tucanos) dizem, não estou tentando arrombar a porta. O presidente me convidou e qualquer resistência à minha entrada no PSDB é apenas de Álvaro Dias, que diz ser candidato ao governo estadual. Mas não é (candidato) porque não tem chance de se eleger para nada, declarou Lerner.
De acordo com a reportagem, publicada ontem, a irritação de Lerner aumentou quando o ex-governador Álvaro Dias disse ao presidente Fernando Henrique que sua filiação não passará. Segunda-feira Álvaro jantou em Brasília com o presidente, quatro governadores e o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, e nenhum deles escondeu que gostaria de ter Lerner reforçando o partido no Paraná. Dias sustenta que a filiação de Lerner não passará pelo diretório estadual.
Se a entrada do governador no ninho tucano não se confirmar por causa da resistência de alguns membros do PSDB - além de Dias, os mais irritados com a idéia são o presidente do diretório estadual, Hélio Duque, e o deputado federal Luiz Carlos Hauly - o PFL está de olho em Lerner. O Globo afirma que o presidente do PFL, deputado José Jorge (PE), já avisou que receberá o governador de braços abertos, caso a legenda lhe seja negada pelos tucanos do Paraná.
O presidente nacional do PDT, ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, só vai se pronunciar sobre o abandono do governador Jaime Lerner do partido depois que o governador assumir oficialmente a mudança. A assessoria de Brizola disse à Folha que o ex-governador ainda não foi procurado por Lerner e que só falará sobre o assunto depois de confirmada a saída do PDT.
O silêncio de Brizola tem as suas razões. O ex-governador quer primeiro ter a certeza da mudança de Lerner para definir qual a linha que o PDT do Paraná deverá tomar. A sinalização de troca sigla não estaria causando surpresa para Brizola, que sabia há mais tempo da vontade de Lerner de integrar o ninho tucano.
Apesar da maquiagem, Brizola e Lerner sempre estiveram em lados opostos no PDT, desde que o governador ingressou no partido em 1985. Lerner resistiu diversas vezes em acatar orientações nacionais. O relacionamento se deteriorou ainda na eleição presidencial de 94, quando Lerner, candidato ao governo do Estado, aderiu informalmente à campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso, adversário de Brizola no primeiro turno.
A avaliação no PDT do Paraná é que a iminente mudança de sigla altera os planos políticos de Brizola para 98. Mesmo com a aprovação da emenda da reeleição pela Câmara dos Deputados, Brizola acalentava esperanças de que Lerner poderia ser o candidato do PDT à Presidência da República na próxima disputa.
Brizola chegou, inclusive, a prometer mais espaço para Lerner no partido quando enviou o ex-deputado federal Vivaldo Barbosa para uma sondagem no Paraná, em janeiro deste ano.
A saída de Lerner aumenta a dubiedade do PDT do Paraná, que não quer se distanciar do Palácio Iguaçu. O grupo quer permanecer alinhado a Lerner nas eleições do ano que vem, já manifestou o presidente estadual José Francisco Pereira. Esta posição bate de frente com a orientação da direção nacional, que costura junto com os partidos de esquerda uma aliança ampla contra o PSDB.


