Os governadores do Paraná, Jaime Lerner (PFL), e do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT), reúnem-se amanhã no Rio para discutir a queda-de-braço travada entre os governadores de oposição e o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), por conta das dívidas públicas dos Estados. Na audiência marcada para às 11 horas, Lerner e Garotinho pretendem ainda tratar de uma reivindicação comum. Os dois governadores querem uma compensação do governo federal para capitalizar seus fundos de previdência.
Lerner reclama uma dívida de R$ 5 bilhões junto ao INSS, gerada com a transformação, em 92, de 51 mil servidores celetistas em estatutários. Antes, esses servidores contribuíam para o governo federal, mas desde a troca de regime suas aposentadorias vêm sendo sustentadas pelo Tesouro Estadual.
A tese da compensação, defendida por Lerner, não é nova. O governador do Paraná vem defendendo-a há cerca de duas semanas. A equipe econômica do governo, comandada pelos secretários Giovani Gionédis (Fazenda) e Miguel Salomão (Planejamento), chegou a sugerir o parcelamento da compensação. A primeira parcela ficaria em R$ 1,2 bilhão, dinheiro que, segundo o governo, seria injetado no novo modelo previdenciário, a Paranaprevidência, cuja lei passa a vigorar somente a partir do dia 15 de fevereiro próximo.
Amanhã, Lerner apresenta uma cópia do projeto desenvolvido pelo secretário especial para Assuntos Previdenciários, Renato Follador Junior, que pode acompanhá-lo na audiência com Garotinho. O governador tem afirmado também que, paralelamente ao pagamento das dívidas, o governo federal poderia aproveitar o pacote de ajuda externa firmado com o FMI e bancos - no total de US$ 41 bilhões - e direcionar uma parcela desses recursos para a capitalização dos fundos.
A visita de Lerner a Garotinho é também o primeiro passo dado pelo governador do Paraná para pôr em prática o seu projeto de ser o intermediador entre os governadores de oposição e o governo federal. Lerner anunciou na vinda do presidente ao Paraná, na segunda-feira, seu plano. Ele é amigo de Anthony Garotinho, desde a gestão de Leonel Brizola como prefeito do Rio.

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