Arquivo FolhaJaime Lerner: aliança difícilO governador Jaime Lerner (PFL) disse ontem que a aliança do PFL com o PSDB para as eleições de 98 ‘‘não se trata de um jogo de imposições’’. ‘‘Aqueles que decidirem nos acompanhar e participar do processo de transformação que todo o Paraná está presenciando serão bem recebidos’’, avisa. O recado de Lerner foi dirigido ao presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), que, na última quarta-feira, sinalizou disposição em iniciar conversa, como manda a orientação do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
O governador não quis comentar a condição imposta por Álvaro Dias, que os candidatos ao governo (inclusive Lerner) se submetam a uma pesquisa de opinião para saber quem tem melhores índices eleitorais e, assim, ocuparem a cabeça-de-chapa, e que os tucanos não fiquem excluídos do processo de definição. ‘‘Na minha candidatura, quando venci a eleição para o governo do Paraná, estiveram juntos uma série de lideranças de vários partidos, entre eles o PSDB. Pretendo dar continuidade a esse processo’’, reforçou Lerner.
Menos preocupado com as eventuais polêmicas que venham a ser travadas com a cúpula tucana do Paraná, o chefe da Casa Civil, Rafael Greca, disse ontem que o PFL só quer fazer coligação com ‘‘o PSDB do deputado Beto Richa, do Euclides Scalco e do ex-senador José Richa’’. ‘‘Não queremos saber do ódio político pregado pelo deputado federal Luiz Carlos Hauly e pelo presidente da Telepar Álvaro Dias’’, atacou Greca durante entrevista a rádio CBN.
A ‘rebeldia’ do ex-prefeito se justifica. Greca está de olho na vaga do PFL-PTB para a disputa pelo Senado, no ano que vem. Uma aliança com o PSDB poderia inviabilizar seus planos políticos - também sonhados pela vice-governadora Emília Belinati e pelo ministro da Previdência Reinhold Stephanes - e forçar o grupo a ceder espaço aos tucanos, que querem Álvaro Dias como candidato. Na entrevista, o chefe da Casa Civil não escondeu suas ambições. Disse que está disposto, ‘‘se for o interesse da população’’, a concorrer.
O governador Jaime Lerner disse também que a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), autorizando a permanência no cargo de governadores e prefeitos candidatos à reeleição, ‘‘não altera o comportamento do governo’’. ‘‘A nossa forma de administrar continuará se mantendo pela ética’’, completou.
Sobre o fim do segundo turno, também com parecer favorável do TSE, Lerner disse que ainda é muito cedo para se comentar as regras aprovadas pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. ‘‘Não é mudança da regra que vai alterar a forma desse governo e o projeto de continuidade da nossa administração. Seremos pautados pelo programa de transformação’’, finalizou.

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