Lerner reassume hoje governo do PR
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quarta-feira, 21 de outubro de 1998
Leandro Donatti 
O governador Jaime Lerner (PFL) reassume hoje o Palácio Iguaçu. Ele desembarca às 18h30, no aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, depois de viagem de duas semanas à Itália e à África do Sul. Uma comitiva de políticos vai recepcionar Lerner no aeroporto. O chefe da Casa Civil, Luiz Alberto de Oliveira, convidou os líderes dos partidos que dão sustentação ao governo Lerner e os integrantes da equipe de governo. A idéia de uma homenagem já na chegada foi da vice-governadora Emília Belinati (PTB). Ela e Luiz Alberto passaram o dia, ontem, em Brasília, cumprindo uma agenda oficial.
Lerner retorna ao Paraná em clima de expectativa. A definição do plano para fazer frente ao ajuste fiscal preparado pelo governo federal e a composição do novo secretariado são os dois principais temas que devem consumir sua agenda. As direções dos partidos aliados vão dar uma trégua para o governador se inteirar dos últimos acontecimentos, antes de exigirem espaço no segundo mandato. Os presidentes do PFL, José Carlos Gomes Carvalho, e do PTB, Emerson Palmieri, estarão na recepção e prometem não falar em secretariado.
Vamos deixá-lo se organizar, disse Carvalho. Cabe a ele fazer as mudanças necessárias. O governador precisa de uma folga para pensar e em nenhum momento pretendemos pressioná-lo, reforçou Palmieri. As declarações dos dirigentes dos dois principais partidos políticos que dão sustentação ao governo Lerner vêm um dia depois do murro na mesa dado pelo governador. Da África do Sul, último País visitado por Lerner, o governador pediu, por meio de sua assessoria, para que as especulações em torno do secretariado e do ajuste fiscal cessassem imediatamente.
O PPB também recuou e ontem já não falava com tanta ênfase sobre secretarias. O presidente do partido, deputado federal José Janene, disse que o PPB vai apoiar toda e qualquer iniciativa para a contenção de gastos e despesas. Para o deputado, o acordo que reservava duas secretarias de Estado para seu partido no segundo mandato foi firmado num quadro político diferente. Não vamos exigir nada. O momento é de colocar as contas em dia e as pessoas certas nos cargos certos. O governo do Paraná precisará ser muito austero para ficar com suas finanças em dia, considerou Janene.
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), anunciou que não vai atender ao pedido do governador e que continuará defendendo a escolha de um secretariado por critérios políticos. Vou continuar falando, apesar de saber que a competência para designar ou exonerar é do governador, disse. A casa dele (de Lerner) é que deve estar em desordem, criticou, numa referência ao Poder Executivo. Em casa que não tem pão, todos brigam e ninguém razão. Está faltando massari (dinheiro), alfinetou o deputado. Ele disse que o recado dado pelo governador é para uso externo.
Khury também adotou o discurso do prefeito de Londrina, Antonio Belinati (sem partido), e defendeu ontem pedido de demissão coletiva do atual secretariado. Para deixar o governador à vontade, justificou. Para o deputado, o segundo mandato de Lerner já começou. Tem que chegar e começar a implantar a economia de guerra. Não pode mais ficar esperando as coisas, aconselhou o presidente da Assembléia. Apesar das críticas que ele tem feito ao governo, a assessoria de Khury informou que o deputado deve comparecer hoje ao aeroporto do Bacacheri, para a recepção ao governador.


