Arquivo FolhaBasta!O secretário Miguel Salomão reage irritado às críticas de Covas e Kapaz e desabafa: ‘‘Chega de brincadeira’’A avalanche de críticas e reclamações que caiu sobre o Paraná contra a política de atração de investimentos do governo fez com que o governador Jaime Lerner, o secretário do Planejamento, Miguel Salomão, e o prefeito Cássio Taniguchi partissem ontem para o contra-ataque. Nenhum dos três poupou críticas. ‘‘Tenho apreço pessoal pelo (Mário) Covas, mas acho que ele está mal informado sobre a questão. O Paraná não será mais economia periférica de São Paulo’’, declarou o governador, em Itapejara do Oeste.
O governador de São Paulo, Mário Covas, acusou o governo paranaense de fazer um ‘‘acordo fora da lei’’ e promover uma concorrência ‘‘desleal’’ para atrair a montadora Renault. Jaime Lerner disse que é contrário à guerra fiscal, mas ressaltou que São Paulo teve todos os incentivos para montar seu parque industrial, em detrimento de um desenvolvimento equilibrado do restante do País.
Mais incisivo que Lerner foi o secretário do Planejamento. Salomão não mediu palavras para rebater as críticas nacionais. Covas e o secretário de Indústria e Comércio de São Paulo, Emerson Kapaz, foram os dois primeiros a ser contestados. ‘‘Por que o Covas não critica o fato de o governo federal ter colocado R$ 35 bilhões para sanear o Banespa e o Nossa Caixa Nosso Banco?’, questionou, irritado, em entrevista ontem à ‘‘Rádio CBN’’.
Segundo Salomão, dos R$ 50 bilhões destinados ao saneamento de bancos estaduais, São Paulo e Rio de Janeiro ficaram com R$ 42 bilhões. ‘‘Chega de brincadeira. Está na hora de o Paraná dar um murro na mesa’’, completou.
O bombardeio de Salomão não poupou nem o presidente Fernando Henrique Cardoso, que, em Berna, Suíça, condenou as guerra fiscal entre os estados. O secretário lembrou que foi o próprio presidente quem introduziu a guerra fiscal no País. ‘‘Quando as montadoras queriam ir para a Argentina, o presidente entrou na guerra fiscal e mudou as alíquotas de importação’’, afirmou. Ele sugeriu que o governo faça a reforma tributária, pois só dessa maneira consegue tornar o Brasil um país federativo, sem guerra fiscal.
O prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, tachou de ‘‘bobagens’’ as críticas dos governadores de São Paulo e Rio de Janeiro. ‘‘O governo do Rio procurou atrair a Volkswagen-Caminhão com incentivos bem maiores e, cá para nós, com mecanismos legais discutíveis’’, afirmou. Então secretário estadual do Planejamento, Taniguchi foi um dos principais negociadores do governo com a Renault. Ele foi um dos responsáveis pela definição dos incentivos fiscais oferecidos à indústria. Ele garantiu que todos os benefícios foram respaldos na lei. O prefeito atribuiu a ciúmes as críticas recebidas. ‘‘Tudo isso é o jus sperniandi. Aqueles que não tiveram competência e criatividade para atrair indústria vão ficar chupando o dedo’’.

mockup