Antes de arrematar a reforma administrativa, o governador Jaime Lerner (PFL) quer recompor a base aliada na Assembléia Legislativa. A reforma é uma reivindicação dos próprios deputados, que ainda cobram a liberação de recursos para os municípios que representam. Descontentes com a falta de atenção que recebem do Palácio Iguaçu e com a escassez de recursos, os deputados estão rebelados e votando contra assuntos de interesse do governo. Vários vetos de Lerner já foram derrubados.
Na última semana, o Palácio Iguaçu concentrou esforços nas costuras em busca de apoio. Antes, as negociações com os deputados estavam praticamente restritas à liderança do governo, que não conseguiu reverter o quadro de insatisfação. Fonte da Folha afirma que as negociações incluem significativas somas de dinheiro e cargos no governo.
O líder do governo, Durval Amaral (PFL), e o secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, admitem a perda de apoio. A expectativa é que o bloco de sustentação fique com 32 deputados – tradicionalmente eram 40.
Lerner anunciou que não vai tolerar infidelidade, o que gerou mágoas na Assembléia. As retaliações aos dissidentes já começaram. Pessoas que haviam sido indicadas para cargos públicos pelos aliados rebeldes estão sendo demitidas, ou ameaçadas de demissão, segundo os próprios deputados. Amaral disse que os parlamentares terão que optar e ficar com o ‘‘ônus e o bônus’’ de apoiarem o governo.
O divisor de águas será a votação da revogação da Lei 12.355/98, que autoriza o Estado a vender a Copel. A votação está marcada para o dia 9 de abril, em primeira discussão. O líder da oposição, Waldyr Pugliesi (PMDB), acredita que conseguirá os 28 votos suficientes para revogar a lei. Amaral sustenta que consegue manter a autorização para privatização. Nereu Moura, líder do PMDB, disse que o Regimento Interno permite que a votação seja adiada, caso a oposição, formada por 14 deputados, considere mais prudente esperar.
O governo estuda o enxugamento da máquina, passando pela fusão de pastas, redução de núcleos no interior e corte de cargos em comissão. As mudanças devem gerar economia aos cofres públicos. Assim que encontrar uma posição mais tranquila na Assembléia, Lerner pretende se reunir com os prefeitos aliados para anunciar as mudanças.

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