Arquivo FolhaConfiançaJaime Lerner: ‘‘Seria um absurdo se ele (Fernando Henrique) lançasse um candidato contra mim’’O governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), afirmou que o PSDB não deve lançar candidatura própria ao governo do Estado. Candidato à reeleição, Lerner espera contar com o apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso na disputa por mais quatro anos de mandato. Para tanto, ele pretende a união de tucanos com peemedebistas do Estado em torno de seu nome. ‘‘É difícil imaginar que o partido do presidente lance um candidato contra mim’’, afirmou.
‘‘Espero contar com o apoio do presidente se estou num partido que é da base de sustentação dele’’, comentou. ‘‘Seria um absurdo se eu entrasse para a base partidária do presidente e ele lançasse um candidato contra mim’’, disse.
A expectativa de Lerner, porém, deverá enfrentar resistências no PSDB e, possivelmente, causará um problema nas relações de Fernando Henrique com os tucanos do Paraná. O presidente da Telepar e ex-governador Álvaro Dias já é citado como provável candidato tucano ao governo do Estado. Além disso, o PSDB vetou a entrada de Lerner no partido recentemente.
No fim de semana, o governador e o presidente da República encontraram-se em Foz do Iguaçu, durante a abertura dos Jogos Mundiais da Natureza. Lerner garante que eles não tocaram no assunto eleições-98. ‘‘Era um momento de festa e não falamos sobre isso’’, justificou o governador. ‘‘Deixamos para conversar sobre assuntos políticos na próxima semana’’.
Lerner não quis falar sobre a aproximação do ex-governador Leonel Brizola (PDT) com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em torno da criação de uma frente partidária de esquerda ou de centro-esquerda. Ele também evitou comentários sobre o ingresso do ex-presidente Itamar Franco no PMDB e do ex-ministro Ciro Gomes no PPS. ‘‘Toda essa turbulência termina no dia 3, e aí vai se poder ver as frentes políticas que estão em jogo’’, analisou. ‘‘Só falo depois do dia 3’’.
O governador, no entanto, fez críticas à oposição, em especial ao PDT, e disse que deixou o partido por respeito a Leonel Brizola. ‘‘Minha saída do PDT foi um ato de respeito a Brizola porque eu não o questionava dentro de um partido que ele criou e conduziu por tanto tempo’’, explicou. ‘‘Se eu não estava de acordo, melhor seria que eu saísse’’.
Lerner disse ainda que faltam projetos às oposições. Segundo ele, antes de ser oposição, é preciso que um partido defina sua posição. ‘‘Uma coisa que estava me inquietando no PDT era a visão negativista, pois eu não endosso a visão da tragédia’’, afirmou. ‘‘Um partido tem de ter esperança, não pode negar tudo, e o PDT é um partido que estava condenado a desaparecer com a visão negativista’’.
Na avaliação de Lerner, as ‘‘distâncias ideológicas’’ diminuíram no Brasil. ‘‘Você caminha para uma ação mais solidária, reduzindo o maniqueísmo e aí vai vencer a proposta de qualquer um’’.
O governador foi bastante cauteloso ao tratar de seus projetos políticos para o futuro. Disse que nunca antecipa ‘‘coisas que não estão ao seu alcance’’, mas deixou claro que uma futura disputa à presidência não é uma hipótese descartada de seus projetos. ‘‘Estarei qualificado, mas o que vai acontecer eu não sei’’, comentou. ‘‘Não sou carreirista e procuro fazer o que posso no momento’’, acrescentou, citando as realizações de seu governo nas áreas social, econômica e cultural. ‘‘Realizar essa transformação vai me dar qualificação’’, analisou. ‘‘O Paraná é um Estado onde as coisas acontecem’’.

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